Visitantes são contra remoção

Usuários do Parque Ecológico discordam de retirada de animais da orla da Pampulha, em BH

iG Minas Gerais | lygia calil |

Orientação. Placas sugerem que frequentadores verifiquem se há parasitas nas roupas e no corpo
UARLEN VALERIO / O TEMPO
Orientação. Placas sugerem que frequentadores verifiquem se há parasitas nas roupas e no corpo

A decisão de retirar as capivaras que vivem no Parque Ecológico Promotor Francisco Lins do Rego e no entorno da lagoa da Pampulha, na capital – anunciada nessa sexta por Délio Malheiros, vice-prefeito – desagradou os frequentadores do local. Todos os visitantes do parque ouvidos neste sábado por O TEMPO discordam da remoção dos animais. A prefeitura quer remanejar as capivaras devido ao risco de proliferação da febre maculosa, transmitida pela picada do carrapato-estrela, parasita dos roedores e de outros animais.

Na manhã deste sábado, o porteiro Felipe Henrique Francisco, 32, jogava bola com os três filhos e um sobrinho – todos descalços – em uma área próxima de um local do parque onde um grupo de capivaras é visto com frequência. “Elas (as capivaras) são atração também. Ter contato com a natureza, ver os bichos de perto é muito bom para as crianças. A preocupação com o carrapato existe, mas a gente fica de olho”, garantiu. Frequentador assíduo do parque, o consultor de direitos do consumidor Emílio Conde, 45, aproveitava a sombra de uma árvore para descansar. Deitado em uma esteira, ele disse não se preocupar com as capivaras mais do que com os outros animais que frequentam a orla, como cães, gatos e até cavalos, que para o consultor também transmitem doenças. “Acompanho esse caso dos carrapatos pela imprensa e não concordo com a remoção das capivaras. Elas vão embora, mas os carrapatos vão ficar. Talvez (o remanejo) não seja a solução mais eficaz”, enfatizou. Para o comerciante Frederico Ozanan, 54, que passa pela orla diariamente, uma ocorrência da doença não justifica a retirada dos cerca de cem animais. “Pegaram essas capivaras ‘para Cristo’. Entre todas as pessoas que frequentam a orla, apenas um caso não é motivo para retirar os bichos. Se as capivaras fossem agressivas, se existissem vários casos de ataques delas, por exemplo, aí talvez fosse o caso. Para mim, está mal-explicado. Querem é ganhar dinheiro com a retirada dos animais”, afirmou. No início deste ano, o estudante Samir Assis, 20, morreu em decorrência da infecção. Entenda. O contrato com a empresa de manejo dos animais foi assinado em 31 de março, no valor de R$ 182 mil. O prazo de conclusão dos trabalhos é de 180 dias, mas a transferência ainda depende de autorização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). No local, placas informam a presença dos carrapatos e alertam os frequentadores a verificarem roupas e corpo à procura pelos parasitas a cada três horas.

Executivo Resposta. A prefeitura informou neste sábado que somente o vice-prefeito pode responder pelo assunto. Segundo a assessoria de imprensa, ele está na Croácia, representando a cidade em conferência.

Contágio Doença. Transmitida ao homem pela picada do carrapato-estrela, comum em animais de grande porte e aves silvestres, a febre maculosa é causada pela bactéria Rickettsia rickettsi. Para que haja infecção, o carrapato deve ficar grudado na pele por ao menos quatro horas Sintomas. Febre, dor de cabeça, mal-estar e manchas avermelhadas aparecem entre dois e sete dias após a picada. Tratamento. A doença tem cura se tratada nos primeiros dois ou três dias de surgimento dos sintomas. Atraso no diagnóstico pode provocar complicações e até levar à morte. Fonte: Biblioteca da Saúde Pública e Fiocruz

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