Campos põe fim a afagos, e PSB deve ter candidato em MG

Até Júlio Delgado já admite que partido não apoiará os tucanos

iG Minas Gerais | Lucas Pavanelli |

Missão. Apolo é uma espécie de “porta-voz” de Marina Silva em Minas, concentrando ataques ao PSDB
PATRICIA NESTOR/psb/DIVULGAçãO
Missão. Apolo é uma espécie de “porta-voz” de Marina Silva em Minas, concentrando ataques ao PSDB

O enfrentamento direto entre os pré-candidatos à Presidência Eduardo Campos (PSB) e Aécio Neves (PSDB) nos últimos dias caminha para o fim do acordo de cavalheiros e, consequentemente, da dobradinha de apoios em Minas e em Pernambuco.

Em reunião neste sábado com pré-candidatos a deputado pelo PSB na capital mineira, o presidente estadual da sigla, deputado federal Júlio Delgado, demonstrou que seu discurso pelo apoio à candidatura de Pimenta da Veiga (PSDB) ao governo de Minas está arrefecendo.

O movimento é orquestrado com a anuência de Campos, que já considera a possibilidade de estimular um palanque próprio no território de Aécio. Delgado já dá como certo que uma pré-candidatura vai ser decidida na convenção estadual, marcada para junho. “Ele deve ter sentido que há um movimento da sociedade em torno do nome do Apolo (Heringer) e está reconhecendo que este é o melhor caminho”, avalia o vice-presidente do PSB em Minas, Mário Assad, para quem o apoio de Delgado ao PSDB foi “precipitado”.

Apolo Heringer é oriundo da Rede Sustentabilidade, que a ex-ministra Marina Silva, candidata a vice de Campos, tentou criar. O ambientalista tem aparecido mais e ganhado espaço dentro do partido.

Em Minas, ele é uma espécie de “espelho” da ex-ministra, assumindo o papel de atacar os tucanos e demarcar território para Campos. Neste sábado, durante o encontro do partido, Apolo afirmou que “Eduardo e Marina no segundo turno tem cheiro de vitória”. Na semana passada, a ex-senadora havia afirmado que “Aécio no segundo turno tem cheiro de derrota”.

Disputa interna. O fato de passar a apoiar a candidatura própria do PSB ao governo de Minas não garante o apoio de Delgado a Apolo. “Alguns, mais ligados à Rede, defendem o nome do Apolo. Outros, filiados há mais tempo no PSB, preferem nome ligado ao próprio partido”, afirma o dirigente, que também é cotado como pré-candidato ao governo.

Delgado reafirmou que o nome será decidido na convenção do partido. Enquanto Apolo tem o apoio de Marina, o dirigente é o nome preferido do vice-presidente nacional do PSB. “Em Minas, uma candidatura nossa (PSB) seria ainda mais útil do que em São Paulo e o Júlio Delgado é um ótimo nome porque é bem votado”, afirmou neste sábado Roberto Amaral. 

Clima de apoio também azeda em Pernambuco Recife. O deputado estadual Daniel Coelho (PSDB-PE) afirmou que poderá ser candidato a governador ou senador por Pernambuco caso o PSB desista de apoiar o PSDB em Minas Gerais. “Todos os movimentos do PSDB estão em torno do projeto do Aécio (Neves). Tenho me movimentado. A minha vontade seria disputar a eleição de deputado federal, mas estou à disposição”, disse à “Folha de S.Paulo”. Nesta semana, a ex-senadora Marina Silva, pré-candidata à vice-Presidência na chapa de Eduardo Campos (PSB), declarou que o PSDB de Aécio Neves já entrou na disputa presidencial “com cheiro de derrota” no segundo turno. Campos endossou a afirmação. “É um fato, nas últimas três eleições, o PSDB perdeu no segundo turno para presidente”, declarou.

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