Força de Marina pode levar à inversão de posições na chapa

Baixo desempenho de Eduardo Campos nas pesquisas eleitorais é visto como fator de mudança

iG Minas Gerais | Guilherme Reis |

União. Até o momento, Eduardo Campos e Marina Silva mostram-se unidos, mas sofrem muita pressão
Leo Cabral / PSB
União. Até o momento, Eduardo Campos e Marina Silva mostram-se unidos, mas sofrem muita pressão

Neste mês, o PSB confirmou que a sua chapa para concorrer à eleição presidencial deste ano será encabeçada pelo ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB). Consequentemente, a ex-senadora e ex-ministra Marina Silva (Rede) será a vice. No entanto, a seis meses do pleito, todas as pesquisas apontam que Marina tem mais intenção de votos do que Campos. O vice ter mais intenções de voto do que cabeça de chapa é fato que nunca aconteceu nos pleitos presidenciais após a redemocratização.  

A situação faz com que especialistas e membros da Rede acreditem que Campos abrirá mão dos anéis para não perder os dedos e cederá seu lugar de estrela da companhia para Marina em nome da vitória. Por outro lado, a tese é refutada pelo PSB.

Marina leva vantagem por ser conhecida nacionalmente devido à eleição de 2010, quando fazendo uma campanha mais modesta, em termos financeiros e de arco de alianças, conseguiu pelo PV 20 milhões de votos. Já Campos tem mais representatividade em Pernambuco, Estado que o socialista governou de 2006 até o início deste ano. Ele conseguiu 3,5 milhões de votos no pleito de quatro anos atrás.

A situação, de acordo com o cientista político Rudá Ricci, é uma exceção na história das disputas presidenciais no país. Normalmente, os vices são escolhidos para garantirem características à chapa que o principal nome não tem, mas de forma discreta. “Nenhum vice teve tanta representatividade quanto ela. A Lei Eleitoral permite que o candidato seja mudado a até 20 dias da eleição. Se Campos não começar a subir nas pesquisas, ele terá que ceder seu lugar para Marina, que pode ter mais chances de ganhar”, explicou Ricci.

O estudioso destaca que se Marina se transformar em cabeça de chapa, a composição do cenário eleitoral poderá ser drasticamente mudada. Em algumas pesquisas, com essa composição, o senador Aécio Neves (PSDB) aparece atrás de Marina. O efeito disso, segundo Ricci, seria um desânimo na candidatura tucana e a volta de Lula ao páreo.

“Marina é peça chave na eleição. Se ela se tornar candidata, Aécio ficará enfraquecido e pode focar sua campanha no fortalecimento de seu candidato ao governo do Estado, Pimenta da Veiga (PSDB). Do outro lado, seria arriscado manter Dilma, e o PT precisaria de outro fenômeno para combater Marina: Lula.”

Um dos fundadores da Rede Sustentabilidade em Minas, José Fernando Aparecido de Oliveira, também aventa a possibilidade de Marina se tornar cabeça de chapa. Para ele, a política é dinâmica e as verdades absolutas mudam. “Como disse José Maria Alkmin, a política é como nuvem, e muda de posição a cada instante. O que está em questão é um projeto de país”, disse Zé Fernando, parafraseando o ex-vice presidente do Brasil.

O presidente do PSB de Minas, o deputado federal Júlio Delgado, no entanto, é enfático ao afirmar que Campos e o PSB não cederão o espaço da cabeça de chapa a Marina Silva. Para o dirigente partidário, a experiência de Eduardo Campos como governador faz diferença na hora de administrar. “Impossível Marina ser cabeça de chapa. Ela é nossa vice. O PSB acolheu companheiros da Rede para ajudar na campanha. Campos já foi governador. Ele tem mais o perfil de um chefe do Poder Executivo”, ponderou Delgado.

Caminho

Chapa. Marina tem a função de oxigenar a chapa de Campos com a discussão de temas ambientais. A ideia é fazer da chapa uma terceira via para o eleitor e afastar o PSB do PT e do PSDB.

Patrus como vice teve peso de candidato principal Mesmo sem o status de Marina, Patrus Ananias (PT), vice na chapa de Hélio Costa (PMDB) na campanha para o governo de Minas em 2010, tinha o perfil de candidato principal. Patrus ganhou destaque durante o governo de Lula (PT) como o ministro do Desenvolvimento Social entre 2004 e 2010. Ele comandou a pasta responsável por administrar a joia da coroa do governo petista: o Bolsa Família. Essa projeção transformava Patrus em candidato natural para o Executivo mineiro, porém, como parte de um acordo para manter a aliança com o PMDB na esfera nacional, o PT cedeu a candidatura ao peemedebista. O slogan da campanha era “Hélio mais Patrus”. A chapa foi derrotada.

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