Mundo redescobre o Brasil

Para jornalistas estrangeiros, Copa está derrubando mitos e revelando as faces do país

iG Minas Gerais | Thiago Nogueira |

Receio. Jornalista brasileira Denise Barra, que mora na Suíça e trabalha na Eurovision, admite receio de vir para o Brasil na Copa
Arquivo pessoal
Receio. Jornalista brasileira Denise Barra, que mora na Suíça e trabalha na Eurovision, admite receio de vir para o Brasil na Copa

A Copa do Mundo no Brasil é um prato cheio para a crítica internacional. Já há alguns meses, os principais veículos do mundo monitoram o passo a passo da organização do evento, as obras de infraestrutura e dos estádios do Mundial, além de tudo aquilo que poderá provocar significativas mudanças nos 30 dias da Copa. E o que mais tem preocupado os estrangeiros são os exageros das manifestações populares e a violência urbana.  

Recente artigo do jornal espanhol “El País” destaca que mais da metade dos brasileiros reprovam a Copa, muito por causa dos gastos para sua realização comparados com outros investimentos do governo. “São as duas caras do Brasil, um colosso paradoxal. Um país que adora futebol e esse outro que quer mais atenção. As brasas continuam incandescentes”, diz o relato.

A cobertura internacional está realmente dividida. O correspondente da rede britânica BBC no Brasil, Tim Vickery, acha que o mundo está redescobrindo um novo país. “Acho que pouco se conhece do Brasil, que é cercado por mitos. A ideia de ir para a rua em massa era coisa impensável para mídia internacional. A relação do mundo com o Brasil está mais profunda, com situações que talvez surjam mais perguntas do que respostas”, pondera.

Receios. A jornalista brasileira Denise Barra mora em Genebra, na Suíça, e trabalha na Eurovision, uma associação com as maiores TVs europeias, presente em 55 países. Ela é responsável pela logística da cobertura da Copa. Quando esteve no Brasil, em dezembro, já teve sinais de que o serviço será muito estressante e perigoso. “Estou pensando se vale a pena ir. Estou com receio, porque vi a exploração das pessoas no Rio e o perigo das ruas. Tentaram me assaltar em plena avenida Atlântica, de dia, onde ficará a maioria dos estúdios de TVs internacionais”, ressaltou.

Segundo ela, muitas TVs estão desistindo de mandar profissionais por causa das manifestações agressivas que têm sido vistas pelas ruas. “Muitas TVs daqui estão também desistindo de mandar profissionais justamente pelos preços abusivos”, completa. Mas a veia aventureira de conhecer um novo Brasil tem pulsado mais forte entre os forasteiros. “São muitas notícias tristes, mas nós estaremos aí. O Brasil é um país fantástico”, editor do site de esporte da BBC, Phil McNulty.

Notícias que rodaram o mundo

Espanha. Ao falar da Copa do Mundo no Brasil, o jornal catalão “Mundo Deportivo” destacou, em março, que a jornada de protestos populares no país se deve às críticas pelos gastos milionários destinados às obras.

Grã-Bretanha. Também em março, a revista britânica “The Times” citou queda de apoio por parte dos brasileiros e as possíveis revoltas que devem acontecer durante a Copa.

França. Em fevereiro, a mais famosa revista do país, a “France Football”, trouxe um capa preta e a manchete “Mundial do medo” para falar da Copa no Brasil. A análise crítica teve grande repercussão.

Grã-Bretanha II. Em abril, o repórter do jornal inglês” The Independent”, Ian Herbert, foi assaltado no Rio quando veio ao Brasil fazer reportagem. Por ironia, a viagem foi financiada pelo governo brasileiro.

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