Madrastas amadas dão lições de como superar os estigmas

Preconceito ainda é barreira para a boa convivência entre as ‘segundas mães’ e os enteados

iG Minas Gerais | Litza Mattos |

Colo de ‘mãedrasta’. Após superar a resistência inicial, Larissa tem hoje uma relação de amiga com a madrasta Sônia
MARIELA GUIMARAES / O TEMPO
Colo de ‘mãedrasta’. Após superar a resistência inicial, Larissa tem hoje uma relação de amiga com a madrasta Sônia

A situação tem se tornado cada vez mais comum. Os casal se separa, algum tempo depois os dois se casam com outras pessoas, e os filhos, que antes conviviam apenas com pai e mãe, passam a ter que se relacionar também com uma nova figura: a madrasta. Relações que deram certo com enteados mostram que é possível ser, na verdade, uma “boadrasta” ou “mãedrasta”, e deixar a personalidade malvada para a ficção.  

Cumplicidade, apoio nas horas difíceis e muita conversa. Quem vê a nutricionista Larissa Braga, 27, falando da madrasta logo imagina que ela está se referindo a uma amiga, mas é assim mesmo que ela considera a sua relação com a secretária Sônia Carvalho, 43. “Há 12 anos moramos juntas. No início, a impressão da própria palavra (madrasta) assustava, e tive certo preconceito da relação, mas com o tempo fui me identificando muito com ela, que hoje considero minha melhor amiga”, conta Larissa.

Sônia afirma que a relação deu certo porque nunca se colocou no lugar de mãe dos enteados. “A madrasta é sempre vista como motivo da discórdia, e a própria palavra já é preconceituosa, mas fui quebrando essa resistência e me aproximando sempre que deixavam. Pra mim não foi tão difícil chegar a esse patamar de confiança porque nunca enxerguei os filhos do meu marido como concorrentes”, explica.

Casada há cinco anos e madrasta há sete, a produtora cultural Yara Maria Caruso, 42, se considera “uma verdadeira mãe” no sentido de amar integramente a filha do seu marido. “Me tornei madrasta quando minha enteada tinha 1 ano. Hoje fazemos muitas coisas juntas, bolos, artesanato, ajudo com a lição de casa e a estudar em períodos de prova, levo e busco na natação, passeamos com nosso cachorro”, afirma a madrasta, que criou o blog Boadrasta.com.

Para Yara, que não tem filhos biológicos, o momento mais difícil foi quando o marido a pediu em casamento e ela teve que pensar como seria assumir esse posto. “O papel do pai é fundamental para que cada um ocupe seu devido lugar. É como se ele fosse o maestro que rege essas relações. Quando ele tem dificuldade em ‘reger’, todos os envolvidos também têm dificuldade em se posicionar”, afirma a produtora, que já participou do Fórum das Madrastas na internet mediado pela terapeuta familiar Roberta Palermo.

“As madrastas que vivem bem com a criança devem se lembrar sempre da importância de ter uma parceria com o pai. Conversar, ajudá-lo a resolver os problemas sem criticá-lo. Para as madrastas que ainda sentem dificuldade, é fundamental pedir ajuda”, afirma a terapeuta da Associação das Madrastas e Enteados.

Boa convivência

O que fazer para a relação entre madrastas e enteados dar certo?

- Nunca falar mal do pai e da mãe para a criança.

- Nunca querer ocupar o lugar da mãe. A madrasta pode opinar, palpitar, mas a decisão final será sempre dos pais, por mais que ela não concorde ou ache um absurdo.

- Se tiver ciúme, procurar imediatamente ajuda de um especialista. O ideal é o pai e a madrasta fazerem juntos a terapia familiar.

Fonte: Roberta Palermo

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