Fragilidade é apontada

iG Minas Gerais | Carlos Andrei Siquara |

A dependência de boa parte da produção literária contemporânea voltada ao público infantil, pelas aquisições do governo, revela um traço da fragilidade do segmento. O jornalista e escritor Leo Cunha afirma que o ideal seria o fortalecimento de vários caminhos que viabilizassem a chegada dos livros até os leitores.  

“As compras do governo em diferentes níveis, seja municipal, estadual ou federal, são importantes, mas não podem ser a via exclusiva. Assim, como o canal direto entre editoras e as escolas, sem passar por livrarias, também não deve ser apenas o único meio. Essa, aliás, parece ser a forma como o mercado mais se estruturou. Por outro lado, hoje as livrarias abrem pouco espaço para os livros infantis de literatura e acolhem mais subprodutos de desenhos animados, entre outros, que não têm o mesmo trabalho com a linguagem como uma obra literária”, sublinha Cunha.

Ele também acrescenta que os títulos juvenis conseguem ter uma repercussão melhor em livrarias do que os infantis. Esse dado, ao seu ver, mira outra deficiência que é a falta de hábito do brasileiro em estimular na criança o hábito de frequentar livrarias e bibliotecas.

“A presença das pessoas nesses espaços é algo muito falho no Brasil. Aqui, além de existirem poucas livrarias e bibliotecas, não há o cultivo do costume de frequentar uma biblioteca ou uma livraria como opção de lazer. Seria muito importante que houvesse acervos públicos espalhados por várias regiões da cidade, como passo para facilitar o convívio com os livros”, diz cunha.

Ana Raquel pontua que uma das alternativas pode ser criar publicações em formato digital. “A internet vem mostrando que tem um potencial muito grande para ampliar o acesso a esses tipos de livro. Acho que uma opção interessante é tentar formatos adaptados a esse ambiente e aos e-readers”, defende.

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