Copa do Mundo: #vaiterCO2

iG Minas Gerais |

Existem vários motivos para ser contra a realização da Copa do Mundo no Brasil. As expulsões de pessoas de suas moradias, a truculência militar contra manifestantes, o dinheiro gasto com a Copa, a tirania da FIFA e o uso do futebol como anestesia do povo, técnica velha e manjada e que funciona sempre, pelas mãos da ditadura militar e pelo governo democraticamente eleito. A atmosfera no país durante o evento causa preocupação e medo, pela violência dos torcedores e de bandidos que vão se aproveitar da hipnose das massas e a paralisia geral para cometer crimes. Outro motivo, talvez menos óbvio, mas igualmente importante, é a pegada de carbono do evento. Segundo dados da própria FIFA, a Copa no Brasil vai despejar 2,72 milhões de toneladas de carbono na atmosfera do planeta, o que equivale à atividade de 560 mil carros durante um ano ou o carbono produzido anualmente por 136 mil lares típicos americanos. A Copa do Brasil ultrapassa a última copa em 1 milhão de toneladas de carbono. De onde vem todo esse carbono? Oitenta por cento vêm do uso de aviões pelos torcedores que virão ao Brasil de países estrangeiros e depois voarão dentro do país para acompanhar os jogos em 12 estádios diferentes para assistir aos 64 jogos do evento. O chefe de responsabilidade social da FIFA, Federico Addiechi, disse que a organização pretende compensar esse volume de emissões com vários projetos de reflorestamento e energia limpa e que isso custaria apenas US$2,5 milhões, ou seja, uma migalha, comparado com os bilhões que a organização vai lucrar. Mas nada concreto será anunciado até o ano que vem, e é necessária uma dose muito alta de boa-fé para acreditar que essa promessa vá se materializar. A meu ver, se houvesse realmente a intenção, um plano concreto já estaria pronto. O Brasil vem deslizando em seu compromisso ambiental, que tem caído na lista de prioridades políticas, como essa atitude blasé em relação ao impacto ambiental da Copa parece atestar. O desmatamento da Amazônia vem aumentando em tempos recentes, e a pegada de carbono do Brasil continua a subir em consequência de um modelo de “desenvolvimento” ultrapassado que valoriza carros, mineração, agronegócio, etc. A legislação ambiental, como o Código Florestal, foi enfraquecida por pressão do agronegócio, e assim se forma um quadro nada animador para o país e o resto do mundo, já que o planeta é um organismo único. É uma pena que apesar de os fatos do aquecimento global estarem se apresentado de forma feroz na realidade do país, estejamos fazendo gol contra. Como seria bom se o interesse na preservação do planeta e da vida tivesse uma fração da atenção que a Copa atrai. Lobo Pasolini é jornalista, blogueiro e videomaker. Ele escreve sobre energia renovável e questões verdes para www.energyrefuge.com e www.energiapositiva.info

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