Lygia Clark revive no MoMA

Museu de Nova York reúne 300 obras na primeira grande retrospectiva da artista mineira nos Estados Unidos

iG Minas Gerais |

Fases. Mostra que o MoMA inaugurou ontem abarca todas as fases da trajetória de Lygia Clark
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Fases. Mostra que o MoMA inaugurou ontem abarca todas as fases da trajetória de Lygia Clark

O Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA) abriu ontem a primeira grande retrospectiva dedicada à artista plástica brasileira Lygia Clark em um museu norte-americano. Por meio de 300 obras reunidas de coleções públicas e privadas e organizadas de forma cronológica, a mostra “Lygia Clark: The Abandonment of Art, 1948-1988” (Lygia Clark: O Abandono da Arte, 1948-1988) aborda todas as fases da carreira da brasileira morta em 1988, que se tornou referência para artistas na exploração dos limites das formas convencionais de arte.

Nascida em Belo Horizonte, em 1920, Lygia Clark construiu sua carreira no Rio e em Paris. A exposição divide as quatro décadas de sua produção artística em três grandes temas: abstração, neoconcretismo e abandono da arte.

Na primeira fase, estão as pinturas e desenhos do fim dos anos 1940 e dos anos 1950, com grande influência da arquitetura, exploração dos limites entre pintura e moldura e a descoberta do que Lygia Clark chamava de “linha orgânica”, uma incisão na superfície da obra. É desse período a série “Superfícies Moduladas”.

A seguir, estão os trabalhos do período do neoconcretismo, movimento artístico de vanguarda brasileiro do fim dos anos 1950.

As esculturas manipuláveis da série “Bichos”, dos anos 1960, com sua infinidade de formas possíveis de acordo com a interação do público, marcam o início da participação ativa do espectador na obra de Lygia Clark. Além dos originais, há réplicas que podem ser manuseadas pelos visitantes.

A parte final aborda o período a partir dos anos 1970, quando ela passou a se dedicar inteiramente à interatividade, acabando com a distinção entre artista e espectador. Lygia Clark parou de se definir como artista e passou a se concentrar no desenvolvimento de experiências sensoriais e seu uso terapêutico. Estão expostos vários desses objetos sensoriais, que eram aplicados diretamente no corpo dos participantes.

Além de vídeos com imagens da época, os visitantes contam com a ajuda de monitores especialmente treinados para reproduzir as experiências sensoriais.

A exposição ocupa o sexto e o quarto andar do museu, onde foi remontada a instalação “A Casa É o Corpo: Penetração, Ovulação, Germinação, Expulsão”, criada em 1968 para a Bienal de Veneza.

“Enquanto o legado de Clark no Brasil é profundo, esta exposição chama atenção internacional para seu trabalho”, diz o curador de arte latino-americana do MoMA, Luis Pérez-Oramas.

“Ao reunir todas as partes de sua produção radical, esta exposição busca reinscrever a artista nos discursos atuais de abstração, participação e prática de arte terapêutica”, acrescenta.

A exposição fica em cartaz até 24 de agosto. O MoMA organizou também uma programação paralela, que inclui uma mostra de filmes experimentais brasileiros dos anos 1960 e 1970.

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