Mais um alívio cômico

Atriz fala das semelhanças e diferenças entre os papéis que viveu em “Cheias de Charme” e na atual trama das sete

iG Minas Gerais | Luana borges |

Jorge Rodrigues Jorge/CZN
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Cláudia Abreu é a personificação da discrição. Dona de uma voz mansa e porte “mignon”, ela faz o tipo avessa aos holofotes. Mas parece ter encontrado uma válvula de escape em seus trabalhos mais recentes na TV. Na pele da exagerada Pamela Parker, em “Geração Brasil”, a atriz extravasa uma personalidade completamente oposta à sua. Assim como aconteceu quando deu vida à cantora Chayene, em “Cheias de Charme”, de 2012, novela assinada pela mesma dupla de autores da nova trama das sete, Izabel de Oliveira e Filipe Miguez. “Isso é ótimo! Boto para fora toda a perua que está dentro de mim e que eu não exercito na vida”, brinca. Em uma primeira análise, as duas personagens podem até apresentar perfis semelhantes por serem extravagantes. Mas, em nenhum momento, Claudia demonstra preocupação em soar repetitiva em cena. Pelo contrário. A atriz aposta muito mais nas diferenças que enxerga entre os papéis. “Chayene queria a fama a qualquer custo e tinha um caráter duvidoso. Pamela, apesar de também não ser uma personagem naturalista, já nasceu famosa, então é algo normal”. Depois do sucesso de sua personagem em “Cheias de Charme”, voltar às novelas sob comando e texto da mesma equipe de direção e autores foi um fator relevante para você aceitar integrar o elenco de “Geração Brasil”? Com certeza. Quando você faz um trabalho feliz, quer repetir a parceria. E foi uma alegria eles terem me chamado de novo. Eu certamente aceitaria sem ler nada porque confio neles, tanto na equipe de direção quanto na equipe dos autores. Izabel e Filipe são muito interessantes, modernos, antenados e falam tudo com muito humor. O que é ótimo para o ator: poder fazer humor e exercitar uma outra coisa. Então, me sinto feliz. Não gostaria de estar em nenhum outro lugar diferente do que estou nesse momento. Tanto a Chayene, de “Cheias de Charme”, quanto a Pamela, de “Geração Brasil”, são personagens extravagantes e com uma pegada cômica. O que você busca para diferenciar um papel do outro? Tem uma diferença enorme entre as duas personagens. Em “Cheias de Charme”, Chayene queria a fama a qualquer custo e tinha um caráter duvidoso exatamente porque queria passar por cima de qualquer pessoa para alcançar isso e continuar famosa. E, além de tudo, a personagem não estabelecia uma relação afetiva com ninguém, era um eterno monólogo. Em “Geração Brasil”, Pamela, apesar de também não ser uma personagem naturalista, parece estar sempre em um reality show. Desde que nasceu, ela é famosa, então isso é natural. Outra diferença grande é que Pamela estabelece relações verdadeiras com a família. Você é uma pessoa reservada e escolheu seguir uma profissão em que a exposição é inevitável. Como equalizar essa contradição? Eu adoro me divertir, não quer dizer que eu fique trancada em casa e não goste de badalação. Não é isso. Só não tenho necessidade de ficar saindo o tempo inteiro, aparecendo e mostrando a minha vida. É uma questão de personalidade. Sempre fui assim porque gosto de ser reservada. Acho que você já se expõe muito na profissão, precisa de um equilíbrio, de um momento para se preservar. Não por algum conceito preconcebido, mas para seu próprio equilíbrio mesmo, para botar o pé no chão, ficar ali na sua e poder ser uma pessoa normal. Porque você é uma pessoa normal. Senão, você começa a acreditar que é outra coisa. E, nesse processo, como tem sido lidar com a fama ao longo de sua carreira? Acho que a gente vai aprendendo. Tem momentos que eu lido melhor, depende muito de como é o momento em que estou. Eu lido de acordo com cada situação. Se a pessoa é educada, se é gentil, é de um jeito. Mas se você for desrespeitada, já lida de outro. Mas eu sou uma pessoa na minha. Faço questão de divulgar, obviamente, meu trabalho quando é preciso, mas não faço questão de divulgar minha vida.

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