Muito além da conta

“Fantástico” supervaloriza cenário e aparatos tecnológicos, mas não melhora conteúdo e nem recupera audiência

iG Minas Gerais | luana borges |

Efeito. Novo formato parece ter acabado com a espontaneidade da dupla de apresentadores
Globo
Efeito. Novo formato parece ter acabado com a espontaneidade da dupla de apresentadores

É compreensível que, há 40 anos no ar, o “Fantástico” tenha sofrido mudanças ao longo do tempo. A mais recente delas foi no cenário, que ficou maior e integrado à redação. O que surtiu, propositadamente, efeito na apresentação de Tadeu Schmidt e Renata Vasconcellos, que agora têm a possibilidade de conduzir a produção de qualquer canto do estúdio. A ideia era, com isso, tornar o programa mais dinâmico. E, de fato, foi o que aconteceu com a atração dominical da Globo. A cada momento, o telespectador é surpreendido por um novo visual como pano de fundo, todos elegantes e bem acabados. Mas tanto “vai e volta” causa um certo cansaço em quem assiste.

Contraditoriamente, o preciosismo estético acabou tirando um pouco da espontaneidade de Renata e Tadeu. Preocupados em explorar todos os novos aparatos tecnológicos disponíveis, os dois apresentadores ganharam um tom exagerado à frente das câmeras. Às vezes, na ânsia de provar que tudo que está ali é uma novidade incrível, deixam o conteúdo jornalístico em segundo plano. E não deveria ser assim.

As reportagens ainda estão lá, é verdade. Mas o foco principal do programa parece estar muito mais nos bastidores de como ele é elaborado durante a semana do que qualquer outro tema. A proposta de mostrar as reuniões de pauta e as decisões de como conduzir cada matéria poderia até ser interessante por desmitificar um pouco o universo da televisão. Mas, além de cansativo, soa falso. A impressão que fica é de que os apresentadores e a equipe de produção tiveram de trabalhar em dobro: uma vez de verdade e outra para reproduzir o dia a dia da redação para as câmeras.

De uma maneira geral, o “Fantástico” demonstra um interesse claro em se voltar para o público jovem. Principalmente por conta das animações que são inseridas ao longo do programa, batizadas de “Fantcons”. Os bonequinhos carregam expressões de sentimentos relacionados ao que está sendo discutido no momento. Mas tudo o que conseguem causar é um tom infantiloide à produção.

Mesmo com tantas mudanças, a repercussão não foi tão grande quanto as expectativas da Globo. O dominical vive um de seus momentos mais críticos na audiência. Na estreia do novo formato, registrou, até então, seu pior índice: cerca de 18 pontos. E conseguiu bater o recorde negativo no último dia 4, com média de 14. Sinal de que alguma coisa está errada no programa.

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