Mãe de Bernardo pediu em carta que cuidassem bem do seu filho

Veracidade da carta é contestada pelo advogado da família, e até o possibidade de seu suícidio

iG Minas Gerais | Da Redação |

O menino Bernardo foi encontrado em uma cova rasa, em um matagal, na cidade Frederico Westphalen, no interior do Rio Grande do Sul
O menino Bernardo foi encontrado em uma cova rasa, em um matagal, na cidade Frederico Westphalen, no interior do Rio Grande do Sul

Advogado da família de Odilaine Uglione, morta em 2010 e mãe do menino Bernardo, pediu nova investigação sobre o caso. O defensor, Marlon Taborda, contesta o suicídio da mulher e aponta divergências entre os laudos periciais, além de falhas no inquérito.

Sobre a uma carta deixada por Odilaine, ele ainda afirma que a mesma não teria sido escrita pela mãe de Bernardo, porque há um erro de grafia na assinatura. “Não sabemos as circunstâncias em que foi escrita a carta, se a Odilaine foi forçada, coagida ou até se outra pessoa escreveu”, disse Taborda ao jornal Zero Hora.

Na carta, Odilaine diz que “perdeu o chão” quando o marido, o médico Leandro Boldrini, pediu a separação. Ela diz estar “lúcida e consciente” e acusa Boldrini de ter destruído sua família, seus sonhos e sua vida. “Eu cresci sem pai e não queria que meu filho passasse por isso... Já que me foi tirada minha família, que eu tanto sonhei em construir... prefiro partir”, afirma o texto

Veja a carta supostamente escrita por Odilaine Uglione

Três Passos - 9 de fevereiro de 2010

Eu Odilaine Uglione, lúcida e consciente dos meus atos venho por meio desta carta esclarecer os motivos que me levaram a tomar esta atitude. Meu pai, faleceu, minha mãe tem diversas doenças cardíacas graves que podem matá-la a qualquer momento; não tenho irmãos. Sou sozinha. Casei com o Leandro com 21 anos, éramos pobres mesmo. Levamos 10 anos para adquirir o que temos.

Na sexta-feira, dia 4/2, eu fiquei com medo de dormir sozinha e fui dormir com meu marido no hospital onde ele fazia plantão. Dormimos, namoramos, ele disse que me amava e me admirava e que nunca iria me abandonar. No domingo eu lhe pedi que largasse o plantão, pois eu tinha medo de dormir sozinha. Ele, então, pediu a separação. Perdi meu chão.

Depois de 11 anos vivendo exclusivamente para minha família. Leandro, tu destruiu a minha família, meus sonhos, minha vida. O que é uma pessoa sem família? Eu cresci sem pai e não queria que meu filho passasse por isso... Já que me foi tirada minha família, que eu tanto sonhei em construir... prefiro partir... do que ver meu filho nas mãos de outras mulheres, meu amor em outros braços. Sem minha família não fico.

Peço, Leandro, que cuide bem do nosso filho, eu estarei sempre ao lado dele. Não precisas mais advogados pra ti ficar com a casa, carro, moto como tu queria. Fique com tudo e faça bom proveito. Já que isso é + importante que a família. Amo minha mãe sobretudo. Amo a Clarrisa e sua família. Cuidem bem do Bê!!!

* Favor cuidar meus tão amados animais até o fim da vida deles. Pois eles foram meus grandes companheiros. Fiquem com Deus.

Odilaine Uglione

09/02/2010

Entenda o caso

Bernardo morava em Três Passos, no interior do RS, e desapareceu no dia 4 de abril. Dez dias depois, o corpo do garoto foi localizado numa cova rasa em um matagal em Frederico Westphalen (a 447 km de Porto Alegre).

A madrasta afirmou à polícia que a morte ocorreu de forma "acidental". Ela disse ter dado remédios ao garoto, que estaria "agitado", para fazê-lo dormir.

Em seguida, viu que o garoto não apresentava reações.

A defesa de Leandro Boldrini nega participação do crime e diz que o pai não tinha conhecimento do ocorrido. O advogado da assistente social, Demetryus Gapiglia, afirma que ela nega envolvimento, mas admite ter ajudado a ocultar o corpo.

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