'Time de aluguel' do Al-Rayyan é criticado por não pensar em projeto

Brecha nas regras do Mundial permite que equipe seja montada somente para a disputa da competição

iG Minas Gerais | DANIEL OTTONI |

Al-Rayyan teve atuação mais regular e consistente e acabou faturando o triunfo sobre os italianos
Divulgação
Al-Rayyan teve atuação mais regular e consistente e acabou faturando o triunfo sobre os italianos

Uma das grandes surpresas do Mundial de Clubes 2014 foi o Al-Rayyan, do Catar. O time de Doha foi o responsável pela eliminação do favorito e anfitrião Sada Cruzeiro, na semifinal. A equipe celeste, atual campeã brasileira e mundial, teve de se contentar com a disputa do bronze contra o UPCN, da Argentina.

Apesar dos méritos de chegar na decisão contra o Belogorie Belgorod, da Rússia, o planejamento do Al-Rayyan foi criticado por alguns desde o início do torneio. A equipe montou seu forte elenco com grandes estrelas internacionais, exclusivamente para o Mundial. O grupo, com peças de renome como o levantador brasileiro Rapha, o ponta búlgaro Kaziyski e o central cubano Simon, encontrou-se somente no Mineirinho para se preparar para a competição. Apenas um treino foi feito antes da estreia.

“Não sou a favor disso, não faz parte da filosofia do vôlei de formação, muito presente em alguns clubes. Eles possuem apenas dois atletas do elenco original, juntaram os jogadores de última hora”, avaliou o treinador Mauro Grasso, presente no Mineirinho como espectador.

Com o aval da Federação Internacional de Vôlei (FIVB), os catarianos aproveitaram para fazer a festa. “Eles não têm culpa se tem uma brecha no regulamento, que permite este tipo de situação. Fizeram valer a força do investimento e poder econômico que possuem. Qualquer um pode fazer isso, desde que tenha condições. Para o esporte em si, talvez não seja muito bacana, vai contra a ideia de clubes que jogam juntos há mais tempo, como o nosso. Mas, paciência”, lamentou o ponteiro Filipe, do Sada.

Seu companheiro de time, o líbero Serginho, chegou a revelar que, na final, torceria pelos russos do Belogorie justamente pelo fato do Al-Rayyan ter montado um "time de aluguel" e não ter um trabalho focado no longo prazo.

Leia tudo sobre: voleimundial de clubesal-rayyancriticadofaltaprojeto