Comércio aberto 24 horas está cada vez mais raro em BH

Hipermercado Extra é a mais nova baixa; restaurantes tradicionais também estão fechando mais cedo

iG Minas Gerais | Juliana Gontijo |

Herói da resistência. O tradicional restaurante La Greppia, por estar perto de um batalhão da Polícia Militar, fica aberto 24 horas
JOAO GODINHO / O TEMPO
Herói da resistência. O tradicional restaurante La Greppia, por estar perto de um batalhão da Polícia Militar, fica aberto 24 horas

Você consegue lembrar nomes de estabelecimentos que funcionam 24 horas em Belo Horizonte? Se teve dificuldade é porque eles estão cada vez menos presentes na vida do morador da capital. Basta sair pelas ruas durante a madrugada para constatar que a cidade, que tem a fama de ser a capital dos botecos, está cada vez menos boemia. Dorme mais cedo.

Violência, dificuldade para encontrar transporte, seja público ou até mesmo táxis, durante a madrugada, são alguns dos fatores que têm levado os frequentadores de bares e restaurantes e comércio em geral a saírem menos de casa de madrugada, segundo empresários do setor.

A mais recente baixa foi o supermercado Extra, na região hospitalar da capital. O Grupo Pão de Açúcar (GPA), controlado pelo varejista francês Casino, informou nesta semana que as redes de supermercados Extra e Pão de Açúcar não possuem mais lojas funcionando 24 horas por dia.

A rede Extra informou em nota que passou a funcionar em novo horário a partir do dia 28 de abril. “A decisão está baseada nos estudos de comportamento dos consumidores que apontaram baixa adesão às compras no período da madrugada. O quadro de colaboradores foi mantido e remanejado de acordo com a escala de funcionamento das unidades”, diz a nota.

Esse esvaziamento de público fez o sócio do Paracone, Lindoval Conegundes, mudar sua estratégia. Ele conta que durante oito anos a unidade da avenida Brasil funcionou 24 horas. Em julho de 2010, o estabelecimento passou a oferecer seus serviços das 7h até 1h de domingo a quinta. Já sexta, sábado e véspera de feriados, o horário é de 7h até 4h. A redução do movimento por causa das blitze da Lei Seca e a falta de segurança foram alguns dos motivos da mudança do horário, conforme o empresário. “A insegurança e a falta de transporte durante a madrugada dificultam até mesmo para conseguir funcionários para trabalhar neste horário”, observa.

Ao longo dos últimos anos, famosos estabelecimentos 24 horas foram fechados na capital, sobretudo bares. Bay-up, na rua da Bahia, e o Diário da Noite, na rua Alagoas, são alguns exemplos. E não é apenas o funcionamento de estabelecimentos 24 horas que não consegue deslanchar em BH. O sonho de transformar a rua Antônio de Albuquerque, na Savassi, em uma equivalente à paulista rua Oscar Freire, que previa a transformação da rua em um “street shopping”, com o comércio aberto até 21h, não foi para frente. Também chegou a se cogitar um shopping a céu aberto na rua da Bahia, até de madrugada, que também não foi viabilizado.

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