Mapeamento digital pode ser o caminho para o futuro da Nokia

Unidade existe há 29 anos e é avaliada em mais de US$ 6 bilhões

iG Minas Gerais | Mark Scott |

Em campo. Mark Williams, engenheiro de sistemas da Nokia, limpa câmera do serviço de mapas Here na Inglaterra
ROB STOTHARD
Em campo. Mark Williams, engenheiro de sistemas da Nokia, limpa câmera do serviço de mapas Here na Inglaterra

Berlim, Alemanha. Pela primeira vez em mais de três décadas, a Nokia enfrenta o futuro sem participar do mercado global de celulares. Em 25 de abril, a empresa concluiu a venda de sua divisão de celulares para a Microsoft, por US$ 7,5 bilhões.

A transação coloca em destaque o que resta da Nokia, que inclui sua divisão de rede móvel e uma unidade de pesquisa e propriedade intelectual. Mas são as iniciativas de mapear o mundo todo digitalmente que podem revelar o tesouro oculto da empresa finlandesa – ou pelo menos emergir como uma meta atraente e multibilionária de aquisição.

O objetivo da Nokia com seu sistema de mapeamento, conhecido como Here e desenvolvido em Berlim, é simples mas ambicioso: construir os mapas digitais mais detalhados e atualizados do mundo.

Em smartphones, o Here é superado pelo Google Maps, que possui 1 bilhão de usuários móveis e vem instalado nos celulares usando o sistema operacional Android, do Google. O Here, que é o aplicativo padrão de mapas em celulares Windows, possui apenas cerca de 100 milhões de usuários em smartphones.

Carros. No mapeamento automotivo, porém, o Here domina, com mais de 80% do mercado global para sistemas de navegação em automóveis – um campo no qual Google e Apple ainda lutam para crescer. A Nokia afirma que seus produtos de mapeamento são mais precisos do que as ofertas rivais, e que sua capacidade de personalizar seus mapas para diferentes clientes a coloca em destaque. O Google, por sua vez, garante que realiza dezenas de milhares de alterações em seus mapas diariamente, e usa algoritmos complexos e informações externas (como da agência norte-americana do censo) para construir mapas para 198 países.

Embora rivais como a Apple tenham tentado entrar no mercado global de mapeamento, elas não têm tido muito sucesso, deixando o sistema Here (já com 29 anos) como a única opção para empresas e consumidores que buscam uma alternativa ao Google.

“Mapeamento é um negócio caro”, declarou Annette Zimmermann, analista da firma de pesquisa Gartner em Munique. “Se você ainda não possui o que esses caras construíram, não faz sentido começar agora”.

Já existem rumores de que a Nokia pode decidir vender ou desmembrar a unidade, para que a empresa possa focar em sua divisão principal de rede móvel. A unidade de rede, que fabrica torres de celulares e outros equipamentos de telecomunicações para operadoras, irá gerar quase 90% da receita anual após a conclusão da venda. Isso significa que o Here poderá ser mais valioso para outra empresa do que para a Nokia.

“Existem apenas algumas operações de mapeamento no mundo”, afirmou Ehud Gelblum, analista do Citigroup. “Trata-se de um ativo de valor”. Analistas dizem que a divisão de mapas da Nokia pode ultrapassar US$ 6 bilhões.

Flash

Tempo real. A Nokia afirma que seus produtos de mapeamento são atualizados 2,7 milhões de vezes por dia. Apesar da posição forte, a unidade de mapas gerou apenas 7% da receita da Nokia em 2013.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave