A caminho da polarização

iG Minas Gerais |

Mais uma pesquisa de opinião pública confirma o crescimento do senador Aécio Neves nas intenções de voto para presidente. Assim como foi declarado pelo Instituto Census, na semana passada, o Datafolha aponta agora para um ganho de quatro pontos do senador tucano, o que, neste momento, já deixaria incerta uma vitória de Dilma Rousseff no primeiro turno, como se imaginava alguns meses atrás. A certeza que o PT tinha da vitória está se dizimando, mas não é o percentual de votos de Aécio que está incomodando a cúpula petista neste momento. É a maneira como esse crescimento está se dando. A conquista gradual, lenta e sistemática é que gera preocupações a dilmistas e lulistas mais céticos. Aécio parece ter acertado o discurso. A tudo responde, e seu posicionamento mais duro em relação ao governo federal, o que era esperado por um candidato oposicionista há muito tempo, garante-lhe um crescimento “sustentável”. Dilma, que vem registrando recuos graduais neste ano, parece não ter muito mais a oferecer ao eleitorado. Seu discurso no Dia do Trabalho foi confuso e o fato de anunciar um Imposto de Renda menor para 2015 não surtiu nem tinha como surtir efeito, pois, poucos dias antes, a imensa maioria dos brasileiros já tinha feito a declaração deste ano. Já as denúncias a respeito da Petrobras e a saída de André Vargas do PT também podem ter contribuído para o ambiente eleitoral menos favorável para a petista. As leituras possíveis de se fazer sobre os resultados das últimas pesquisas, como sempre, são várias. Ainda é cedo para dizer que Dilma caiu numa vala e que os números dela, daqui para frente, serão decrescentes. Da mesma forma, a empolgação tucana com a ascendência de Aécio pode ser precipitada. Porém, entre os dois, Aécio tem muitos mais motivos para se alegrar. Dilma tem um repertório conhecido da população. Falará sobre o PAC e dos projetos sociais da era Lula, mas, em contrapartida, terá que defender a Petrobras, segurar a economia, justificar a estagnação e ainda enfrentar o risco da Copa. Terá que torcer muito para a Seleção Brasileira se sagrar campeã em julho e ainda rezar para que as manifestações não tenham tanta força como no ano passado. Como já dito neste espaço antes, e agora com mais segurança, o Brasil terá uma das eleições mais empolgantes de sua história. Não há dúvidas: o PSDB, com Aécio, tem o candidato mais competitivo desde 1996. Não é um José Serra, com cara de azedo, nem um Alckmin, um sujeito com virtudes, mas insosso. Por outro lado, o PT ainda tem Lula, talvez o sujeito que mais entenda o eleitorado brasileiro. Só ele. Dilma, sozinha, parece passar por um processo de desencantamento.

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