Minha mãe

iG Minas Gerais |

Hélvio
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O Dia das Mães é no domingo, e elas merecem todas as homenagens possíveis, mas eu peço licença para falar só de uma: a minha. A melhor mãe que uma pessoa poderia ter. Pode parecer clichê, todo mundo acha que sua mãe é a melhor, mas, realmente, se eu pudesse escolher, não pensaria duas vezes antes de ser filha dela. Minha mãe nunca foi somente “mãe”. Ela dividiu esse papel com alguns outros... O de irmã, o de colega, o de filha, o de amiga. Minha mãe sempre soube que a melhor maneira de ensinar é com o próprio exemplo, seja ele bom ou ruim. Minha mãe se atrasava quase todos os dias para me levar ao colégio. Acho que herdei dela a lentidão matinal. Com isso, aprendi que não se pode ser sempre pontual, mas que existe uma forma de se contornar isso... Se eu tiver filhos, com certeza eles estudarão no turno da tarde! Minha mãe começou a namorar muito cedo. Ela queria treinar bastante antes de escolher o namorado definitivo, que – tempos depois – ela descobriu que não seria tão definitivo assim... Mesmo sem ter ficado casada para sempre com o meu pai, ela continua a acreditar no amor. E sabe que ele não acaba, pois mora dentro da gente e apenas resolve viajar para outros corpos de tempos em tempos. Minha mãe sempre tenta impor sua vontade, mas ela mesma sabe que não tem a menor moral quando, no fundo, ela quer o mesmo que eu. Foi assim com cada um dos cinco cachorros que nós temos... Minha mãe sabe costurar. E cozinhar. E bordar. E passar. Mas realmente não gosta muito de fazer nada disso. O que ela gosta mesmo é de navegar na internet e viajar. Minha mãe é moderna. Médica. Sagitariana. Sabe o que é bom e não abre mão disso. Minha mãe adora cinema, teatro, shows... Mas se por acaso lá pelo meio ela descobre que aquilo ali não valeu o preço do ingresso, ela não tem dúvidas: fecha os olhos e dorme. Minha mãe sabe que uma boa soneca compensa bem mais do que programas sem emoção. Minha mãe não gosta de telefones. Nem de interfones. Ela pode estar ao lado de um deles. Ele pode estar implorando para ser atendido. Se ela estiver fazendo qualquer coisa de importante, ela simplesmente não vai atender. Quem quiser que insista ou que ligue no celular, que tem identificador de chamadas. Pelo menos assim ela pode saber de antemão que não é uma pessoa entediante, que a obrigue a ficar presa com o aparelho no ouvido. Porque outra coisa que minha mãe não suporta é isso: ter que conversar com gente chata. Minha mãe sempre está de regime. Mas nunca deixa de comprar leite condensado. Minha mãe me dava beliscõezinhos quando eu era pequena e fazia alguma coisa errada, mas ela nega isso de pé junto. Minha mãe não come carne vermelha. Mas não deixa de ir a churrascos por causa desse detalhe. Minha mãe dirige devagar. E se preocupa muito com meu jeito de dirigir sempre com pressa. Minha mãe gosta de ler revistinhas da Luluzinha. E os meus livros e crônicas. Minha mãe sempre liga pra perguntar onde eu estou. E se eu vou demorar. Minha mãe tem tantas coisas minhas que eu tenho minhas dúvidas se elas são mesmo minhas ou se eu é que as tomei dela. Minha mãe é verdadeira, apesar de inventar umas mentirinhas bobas de vez em quando. Minha mãe é minha mãe, irmã, colega, filha e amiga. Minha mãe é o meu exemplo. E, quando eu estiver neste papel – o de mãe –, gostaria de ser boa o suficiente para fazer exatamente como ela: não se preocupar em ser mãe. Ela conseguiu fazer de mim uma filha muito feliz sendo apenas ela mesma. E não tem nada que eu deseje mais para os meus futuros filhos do que essa felicidade que ela me ensinou a ter. Obrigada, mamãe, por você nunca ter tentado ser o que não é. 

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