Francesas fazem teatro com o uso da ciência

iG Minas Gerais | Lucina Romagnolli Especial para O Tempo |


Cena de “Augenblick Dream”, que é atração  no Parque Municipal
FIT BH divulgacao
Cena de “Augenblick Dream”, que é atração no Parque Municipal

[NORMAL_A]Ao espectador de “Augenblick Dream”, pode ser importante saber que antimatéria é o inverso da matéria. Ou seja, suas antipartículas têm carga elétrica contrária às das partículas. Assim, ao elétron opõe-se o pósitron; e ao próton, o antipróton; e um encontro da antimatéria com a matéria gera uma explosão que transforma a massa em uma quantidade imensa de energia. O grande enigma é como a antimatéria desapareceu do universo. Mas cientistas já conseguiram recriá-la num acelerador de partículas, chamado LHC.

O que essa descoberta científica de décadas atrás tem a ver com teatro? A física está na base da construção do espetáculo do grupo Eolie Songe, outro grupo francês convidado ao 12º Festival de Teatro, Palco & Rua de Belo Horizonte - FIT-BH. Para eles, esta é a primeira vez no Brasil.

A tenda de “Augenblick Dream” está armada no Parque Municipal, pronta para receber 60 pessoas a cada uma das três seções diárias do espetáculo – de hoje à quinta (exceto na segunda), às 11h, 14h30 e 16h30. “Nossa intenção não é opor dois mundos, o ordinário e o científico, mas mostrar e experimentar questões sociais e filosóficas levantadas pela experiência do LHC”, dizem os diretores Laurent Mulot e Thierry Poquet.

Em cena, um personagem que teve contato com o LHC, em Genebra, busca seu duplo na dimensão dos sonhos. Não é difícil associar a ideia de duplo à de antimatéria e concluir que o encontro com este poderia causar o aniquilamento de ambos. “Um dos principais assuntos explorados é a investigação da antimatéria no CERN”, diz o diretor, referindo-se à Organização Europeia de Pesquisa Nuclear. “Especialmente, a violação da simetria entre matéria e antimatéria. O personagem principal está à procura do seu duplo”, conta.

Poquet define “Augenblick Dream” como um “OVNI para a arte de rua”. “A tenda geodésica branca parece muito estranha no parque. Falamos de ciência, da origem do universo e coisas metafísicas de uma forma muito íntima, que não é habitual na rua”.

A especialidade do grupo é o teatro de rua. “É uma boa forma de convidar pessoas que não estão acostumadas a ver arte a assistir à arte contemporânea”, diz Poquet. Mais do que por palavras, a história emerge em teatralidade, dança, vídeo e música, de uma forma “experimental e poética”, como diz o diretor.

Agenda

O quê. “Augenblick Dream”, do Eoli Songe

Quando. Hoje e amanhã; e terça a quinta, às 11h, 14h30 e 16h30

Onde. Parque Municipal

Quanto. Entrada franca

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