Rapper de todos os estilos

Flávio Renegado mostra, nesta noite, show do seu primeiro DVD, “#SuaveAoVivo”, gravado no Parque Municipal

iG Minas Gerais | LUCAS SIMÕES |

Parceria. 
Em show de gravação do DVD, no Parque Municipal, ano passado, Flávio Renegado divide o palco com Rogério Flausino
Parceria. Em show de gravação do DVD, no Parque Municipal, ano passado, Flávio Renegado divide o palco com Rogério Flausino

Não estranhe se você topar com o Flávio Renegado vestindo terno branco de sambista e assobiando Ney Matogrosso por aí. Ou mesmo se ele surgir de boné aba reta, jaqueta punk e camiseta reggae batucando um samba do Gil pelas vielas do Alto Vera Cruz, lugar onde o cantor e compositor nasceu e mora até hoje com a mãe a irmã. É nesse figurino plural que ele aparece no recém-lançado DVD “#SuaveAoVivo”, que o rapper apresenta hoje no Teatro Bradesco. Sim, rapper. É que a variedade que o som de Renegado assumiu nos últimos tempos não o excluem do gênero que o projetou. Ao contrário, revela agora um artista que tem tornado o rap e a música popular brasileira uma coisa só. “O que sempre foi, cá entre nós”, diz o músico.

“O rap mesclou com um tanto de coisa pelo mundo afora, ele se veste de outras coisas e me sinto cada vez mais mergulhado nisso. Eu posso fazer rhythm and blues que é rap também. Eu posso fazer hardcore e isso vai ser rap também. Eu escolhi flertar com todas as possibilidades que eu tenho acessas, saca? A gente tem que falar com a boca, a alma e o coração. Não importa se é rap ou canção”, completa o cantor.

Acostumado a construir rimas sem perceber, Renegado tem feito sua música sair daquele clichê do oprimido que critica o opressor, atingindo um discurso e uma sonoridade mais robustas. É que aos 31 anos, mesmo sendo um cantor do gueto, filho de faxineira e de pai morto pelo tráfico, o rapper soube aproveitar o mundo mainstream após o lançamento dos seus dos primeiros discos, “Do Oiapoque à Nova York” (2008) e “Minha Tribo É o Mundo” (2012). “O fato é que eu cansei de falar de pobreza e favela como uma vítima. Quero soluções positivas de outros caminhos que o rap ainda não percorreu”, diz.

Outras possibilidades que começaram em um show no Rock In Rio, no ano passado, após ele fechar a segunda turnê pela Europa. Depois, dividiu o microfone com Bebel Gilberto para gravar a música autoral “Na Palma da Mão”, no primeiro DVD dela, “Bebel Gilberto In Rio” (2013), que também teve Chico Buarque entre os convidados. Foi nesse projeto que ele conheceu o produtor Liminha, que convidou Kassim para dividir a produção do seu primeiro DVD.

“Sou muito seguro de onde eu quero caminhar. Não procurei alguém para criar hits ou subir no mercado. O Liminha e o Kassim são a melhor dupla de produção do país, encarei a parceria como uma troca de experiências entre gerações. E eles entenderam que meu trabalho é muito calcado na verdade, no que eu vivo”.

No DVD, a verdade do rapper vem à tona não apenas com um repertório que mescla canções dos trabalhos anteriores, como “Minha Tribo É o Mundo”, “Zica” e o single “Suave”. Propenso a fazer releituras, o cantor também mostra versões de “Saudosa Maloca”, de Adoniran Barbosa, e “Não vou ficar”, de Tim Maia, com um arranjo instrumental que inclui um trecho do clássico “Superstition”, de Steve Wonder. Além disso, ele conta com participações de Rogério Flausino, do Jota Quest, (“um irmão de vida, além da música”), a cantora Aline Calixto e o grupo Meninas de Sinhá.

No show de hoje, o rapper vai dividir o palco com a mãe, Dona Regina, na canção “Benção” – feita de filho para mãe. O músico também apresenta em primeira mão o novo single autoral, “Apenas um Beijo”, que terá um clip lançado este mês com vídeos de beijos enviados por fãs. “Tem beijo gay, hetero, tá muito diverso e legal”, diz.

Enquanto roda o país em turnê, Renegado prepara um disco novo para 2015. Algumas canções com parceiros antigos, como Gustavo Maguá e Edu Krieger, estão prontas. Mas, nomes como Edi Rock (Racionais MC’S) e Marcelo D2 podem aparecer no álbum. “Estamos vendo se rola alguma coisa em conjunto, parece que sim. Mas nesse disco quero transcender. Tenho me preocupado mais com harmonias e ouvido desde o blues do Paul Jackson Jr., revisitando Ney Matogrosso, Gilberto Gil e Luiz Melodia, até Pharrell Williams e Zeca Pagodinho. Cabe tudo no rap”, garante.

  • Agenda
  • Show. Flávio Renegado faz show hoje, às 21h, no Teatro Bradesco (rua da Bahia, 2244, Lourdes). Os ingressos custam R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia)
  • Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave