Invasão de bicicletas

Franceses da companhia Générik Vapeur retornam a BH 20 anos depois de “Bivouac” e se apresentam hoje na rua

iG Minas Gerais | Luciana Romagnolli Especial para O Tempo |

Divulgação
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As memórias são de um êxtase coletivo. Como uma “horda primitiva”, a trupe francesa Générik Vapeur arrastou um público assombrado pelas ruas do centro de Belo Horizonte atrás de “Bivouac”, anunciando o primeiro Festival Internacional de Teatro Palco & Rua, ainda sob a tutela do Grupo Galpão. O ano era 1994, e o feito se repetiria em 1996, quando os franceses mostrariam também o espetáculo “Coche Porque? Porque Coche?”. Não voltaram mais.

 

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    Duas décadas depois, já crescidos aqueles que se espantaram com os homens azuis e seus aparatos de metal e fogo, a companhia francesa enfim retorna à cidade, novamente disposta a invadi-la. Desta vez, com bicicletas. O ponto de encontro do novo espetáculo, “Jamais 203”, é na av. Andradas, atrás do Parque Municipal, hoje, às 17h30. E o trajeto segue até a praça da Estação.

    Os artistas de Marselha chegaram sábado e instalaram-se no Parque Municipal, onde ensaiam com 20 voluntários. “Sempre trabalhamos com atores locais, mas também com o clima social. Quem está dentro de um teatro não sabe se chove ou faz sol. Nós trabalhamos no espaço público pela necessidade de nos encontrarmos nos espaços dos habitantes”, diz o ator Kevin Morizur, 31.

    A companhia vem de uma turnê pelo Brasil que começou no 6º Festival de Teatro de Rua de Porto Alegre e segue para a Virada Cultural de São Paulo. Em cada parada, o desejo é de impactar o meio urbano. “Tentamos falar às cidades e fazer espetáculos em grande escala. Mas as cidades no Brasil são muito grandes, é sempre um desafio”, diz o ator francês – que aprendeu a falar português na escola, quando vivia na Bretanha, que tem grande comunidade portuguesa.

    Os voluntários (atores, ciclistas e ativistas de BH) se unirão aos 15 atores franceses em cima de duas rodas para uma corrida ciclista inspirada no Tour de France – evento realizado no país europeu desde 1903. “A corrida desse espetáculo é um pretexto para convidar os habitantes”, diz Morizur. “Contamos histórias diferentes, com texto, canções e música elétrica”.

    Com 30 anos de história, a modernidade do trabalho da Générik Vapeur está em lidar com eventos sociais atuais. “As temáticas vão mudando com o clima do mundo”. Num momento em que ser ciclista é também um posicionamento político de consciência ambiental, inclusão social e ocupação do espaço público, a corrida assume então novos sentidos.

    “Pessoas que encontramos aqui falam muito da Copa do Mundo, de que há muito dinheiro e implicação do governo. Em paralelo, uma corrida ciclista com entrada liberada faz com que nos encontremos no mesmo lugar para falar de temáticas juntos, para que a cultura possa ultrapassar as fronteiras e muralhas”.

    “Jamais 203” estreou na abertura do Tour de France de 2008. “Os diretores [do Générik Vapeur] diziam que era muito caro para a cidade acolher um evento desportivo, então queríamos fazer uma corrida ciclista mais barata e mais artística”, diz o ator. Curiosamente, ele pede que o público deixe suas bicicletas em casa para dar espaço ao espetáculo. Mas promete um final de corrida espetacular.

    Agenda

    O quê. “Jamais 203”, da Génerik Vapeur

    Quando. Hoje, às 17h30

    Onde. Av. dos Andradas (atrás do Parque Municipal)

    Quanto. Entrada franca

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