Novo Golf GTI honra a tradição

Versão esportiva do hatch da Volkswagen anda muito, mas também pode ser dócil; pacote é sedutor e consegue cativar os olhos, a mente e o coração

iG Minas Gerais | Felipe Boutros |

O Golf GTI tem preço inicial de R$ 98.990
Alexandre Carneiro
O Golf GTI tem preço inicial de R$ 98.990

Apesar de ser um carro relativamente comum, o VW Golf GTI carrega um algo a mais que cativa entusiastas em todo o mundo. Provavelmente, a receita do sucesso é a possibilidade de se ter um esportivo a um preço (relativamente) acessível. Especialmente no Brasil, mercado carente de versões que realmente fornecem um nível de performance maior do que a aparência sugere. Por isso, a volta da versão ao mercado nacional – depois de um hiato de três gerações – foi comemorada pelos fãs e pela própria Volkswagen.

Mas será que o novo Golf GTI é isso tudo? Sim, é! E isso foi consenso na equipe do Direção, após um período de avaliação do modelo. Para começar, o hatch já dá uma mostra a que veio antes mesmo de o motorista entrar nele. O visual é invocado! As rodas de 17 polegadas deixam expostas os freios a disco nas quatro rodas, com pinças pintadas de vermelho. A cor que sugere a “pimenta” a mais do GTI continua presente em um friso que percorre a grade dianteira (em forma de colméia) e os faróis. O para-choque também é diferente, e detalhes em volta dos faróis de neblina mostram qual é a versão mais “nervosa” da família.

Ainda há emblemas na grade, na tampa do porta-malas e nos para-lamas para deixar claro – se é que alguém ainda tinha dúvida – que aquela não é uma versão comum do Golf. Mas o melhor do GTI está reservado para quem senta atrás do volante, no banco do motorista.

Melhor de dois mundos

Por dentro, o VW Golf GTI continua a inspirar o motorista. O vermelho continua presente em detalhes, como na costura pespontadas dos revestimentos dos bancos, volante e portas. Hora de dar a partida, por meio de um botão no painel – o GTI dispensa o uso da chave até para abrir as portas. Direção levinha, ronco manso... Epa! Nem parece um esportivo! E nisso está um dos destaques da versão: ela oferece quatro modos de uso – Normal, Eco, Sport e Individual – que realmente fazem com que ela seja um caso de transtorno bipolar automotivo.

Quando passamos do Normal para o Sport, a coisa muda de figura. A assistência da direção fica menor, a resposta do acelerador fica mais rápida e o câmbio DSG de dupla embreagem eleva os giros ao limite antes da troca. Até o ronco fica mais encorpado, mas por uma solução eletroacústica. Não é real, mas, purista, não faça bico. Não dá para notar a diferença, empolga do mesmo jeito e é um convite para acelerar. E o Golf corresponde, graças ao motor 2.0 TFSI de 220 cv entre 4.500 e 6.400 rpm, 35,7 kgfm de torque entre 1.500 e 4.400 rpm. Ele é malcriado: você pisa e ele responde. O DSG de seis marchas tem respostas rápidas e permite trocas sequenciais tanto pela alavanca quanto por borboletas atrás do volante.

Não é difícil atingir velocidades acima do permitido e recomendável. A direção de relação variável é muito direta e comunicativa. A suspensão é mais baixa e firme em relação às outras versões, mas não maltrata os ocupantes. É claro que é um pouco mais desconfortável, mas como “não existe almoço grátis”, o preço a se pagar é pequeno pelo domínio do carro que ela oferece, deixando-o sempre à mão, com pouca rolagem da carroceria.

Mas o Golf GTI não escapa de um problema crônico dos carros de performance com tração dianteira: ele é subesterçante em curvas, ou seja, “sai de frente”. Mais ainda na versão esportiva do que nas outras, já que ele é quase 80 kg mais pesado, e boa parte dessa massa extra está na frente. Na Europa, para minimizar essa característica, há oferta, como opcional, de um diferencial de deslizamento limitado. Por aqui, ele é do tipo com bloqueio eletrônico, que atua sobre as rodas através dos freios.

A unidade avaliada ainda estava equipada com pneus Pirelli P7, que, notadamente, não são voltados para carros de alta performance e já estava com as bordas, nas rodas dianteiras, bem desgastadas. Para aproveitar o máximo do modelo, o motorista vai precisar de sensibilidade para saber a hora de despejar todo o torque nas rodas.

O outro lado

Se a diversão é garantida com pista livre, o cotidiano nos traz problemas mais mundanos, como trânsito e consumo de combustível. Se lembra quando falamos que o GTI é bipolar? Então, ao mesmo tempo que ele oferece performance de ponta, ele pode mudar completamente de comportamento quando o modo Eco é selecionado. Todo o conjunto se volta para, como o nome sugere, a economia de combustível. Consequentemente, as reações ficam mais suaves. A boa oferta de torque trabalha a favor e permite trocas de marchas em rotações mais baixas. A direção ganha mais assistência e fica mais leve.

Mas o melhor é o consumo, digno de um carro compacto com motor menor. Durante nossa avaliação, o computador de bordo apontou média de 11,2 km/l na cidade e 13,7 km/l na estrada. Para isso, ajuda o sistema start-stop, que causa estranheza no começo, mas é rápido de se acostumar. E quem quiser mandar a consciência ecológica às favas, ele é fácil de desligar, por meio de um botão no console.

Em um ritmo mais leve também dá para curtir as outras qualidades do Golf. O acabamento é muito bom. Não há plásticos rígidos, praticamente, e a maioria das superfícies é revestida em couro ou emborrachada. Aqui vai uma sugestão: as unidades têm os assentos revestidos em couro de série. Mas se você quer muito mais charme, escolha o revestimento em tecido. Ele é xadrez, como manda a tradição do GTI.

Hoje, o Golf GTI reina sozinho no mercado brasileiro. Seus concorrentes são os hatches premium alemães: Mercedes-Benz Classe A, Audi A3 e BMW Série 1. E, sinceramente, o modelo da VW não deve nada a nenhum deles.

Pacote

O Golf GTI traz de série ar-condicionado dual zone, vidros e travas elétricas, direção com assistência elétrica, travamento das portas por controle remoto, airbags frontais, laterais e de cortina, freios ABS com EBS, controle de tração, controle de estabilidade, sistema de som com tela sensível ao toque de 5,8 polegadas e rádio/CD/com Bluetooth, rodas de liga leve aro 17’’.

O pacote que inclui i sistema que permite a seleção do modo de condução está em um pacote de opcionais com preço de R$ 16 mil. Ele ainda inclui itens como o controle de cruzeiro adaptativo – útil também – e sistema multimídia com rádio CD-Player, tela touchscreen de 5,8’’, sistema de navegação e Bluetooth. Com ele, o valor sobe para R$ 114.990.

Números

Desempenho: 6,5 segundos é o tempo que o Golf GTI gasta para acelerar de 0 a 100 km/h, de acordo com a Volkswagen. Ainda de acordo com a montadora, a velocidade máxima é de 244 km/h.   Motor: 220 cavalos é a potência desenvolvida pelo 2.0 TFSI, disponível entre 4.500 e 6.000 rpm. O torque é de 35,7 kgfm de torque entre 1.500 e 4.400 rotações. O motor é movido apenas à gasolina.   Dimensões: 1317 quilos é o peso da versão GTI do hatch médio da Volks. Ele tem 4,26 m de comprimento, 1,79 m de largura, 1,46 m de altura e 2,63 m de distância entre-eixos. Porta-malas tem capacidade de 338 l.

 

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