Andrade Gutierrez terá que pagar R$ 800 mil por excesso de jornada

Mineiros entraram com ação contra empresa em 2009; segundo a Procuradoria Regional do Trabalho em Minas Gerais, operários ficavam alojados no canteiro de obra e acabavam trabalhando de 12 a 14 horas por dia

iG Minas Gerais | Fernanda Viegas |

A Construtora Andrade Gutierrez foi condenada a pagar R$ 800 mil por excesso de jornada de trabalho de mineiros no continente africano, segundo divulgou nessa quinta-feira (8), a Procuradoria Regional do Trabalho em Minas Gerais. A decisão é de primeira instância e ainda cabe recurso.

De acordo com o procurador do trabalho Geraldo Emediato de Souza, desde 2009, os trabalhadores que voltaram dos países Congo, Guiné e Angola entraram com ação trabalhista contra a empresa. Um inquérito foi instaurado em 2010 e ação ajuizada em 2013. Ainda, segundo Souza, centenas de trabalhadores estiveram em situação degradante de atuação, mas apenas 28 fazem parte da denúncia no processo.

“As denúncias são raras, porque são situaçãoes fora do país e a fiscalização é dificil lá fora. Essa realidade só vem a tona quando os trabalhadores retornam e relatam. Além disso, a legislação estrangeira não tem limite de jornada de trabalho estabelecida, de 8 horas por dia e 44 horas semanais, como nós temos. Os operários são alojados no canteiro de obras mesmo e acabam trabalhando de 12 a 14 horas por dia”, explicou.

A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa da construtora que informou que não irá comentar o assunto.  

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