Vida e sustento no campo

iG Minas Gerais | LUCAS SIMÕES |

Mudança. Isabelle Cicatelli descobriu nos produtos orgânicos uma nova vida
Rusty Marcellini/festival fartura
Mudança. Isabelle Cicatelli descobriu nos produtos orgânicos uma nova vida

Se de um lado a busca por novos prazeres culinários encanta os chefs de cozinha, para os produtores espalhados pelo Brasil a questão vai além do paladar. É o caso da francesa Isabelle Cicatelli, que, aos 52 anos, produz ervas e hortaliças usadas em suas receitas no restaurante Chez Domaine, no interior do Espírito Santo. Hoje, ela se auto-denomina “chef-jardinier”, que além de plantas também produz frutas e legumes, cria porcos, frangos e uma pequena quantidade de escargots vendidos a alguns estabelecimentos da região.  

Depois de se mudar para o Brasil aos 5 anos de idade, ela não se arrepende de ter largado o escritório onde trabalhava como advogada na capital paulista, ainda na década de 90. “Tenho outra vida, um ritmo calmo e alegre que não troco mais pela vida antiga numa cidade agitada. Além de tudo, tenho cada vez mais incentivo para produzir. Poder sobreviver à base dessas plantas e alimentos tão naturais, não tem preço que pague”, diz.

O produtor rural José Baltazar, 72, mais conhecido como Zé Mário, também não troca o estilo de vida que leva em São Roque de Minas, na serra da Canastra, por qualquer quantia em dinheiro. Há nada menos do que 50 anos produzindo queijo ao lado da mulher, Valdete Aparecida Alves da Silva, ele criou os filhos gêmeos Carlos e Eudes, 20, com a renda da queijaria artesanal instalada no Sítio do Zé Mário, no quilômetro 4,5 da estrada da Cachoeira do Cerradão. A produção diária não é grande, cerca de oito queijos normais de um quilo cada, e 8 pequenos, tipo Canastrinha, com mais ou menos 600 gramas. O suficiente para sustentar a família, que traz da rotina diária na roça o ganha pão. “Meus filhos são acostumados desde novos a acordar às 5h da manhã, acompanhar o processo de ordenha da vaca e início dos trabalhos. É a nossa vida. Hoje sou referência na venda de queijos porque ganhei alguns prêmios. Eu e minha mulher somos apaixonados por isso, vai além de um trabalho”, diz.

Tanta paixão que, após ganhar várias edições do Concurso Estadual do Queijo Minas Artesanal, ele desistiu de participar do certame. “Parei para dar chance a outras pessoas mesmo, não preciso de tanto prêmio”, justifica, com uma modéstia simplória.

Além dos queijos, Zé Mário também produz outros produtos no sítio sem qualquer adição de agrotóxico. Entre eles, o café – são cerca de 200 pés na propriedade –, ovos, que ele retira com frequência de um galinheiro construído com suas próprias mãos, além de verduras, mandioca e milho. 

Festivais Dois eventos prometem aproximar ainda mais chefs, público e produtores rurais na capital. O primeiro deles é o Aproxima, que vai colocar 60 barracas de produtores artesanais de Minas na praça da Estação, entre 28 e 31 de maio. O outro é o Fartura, comandado por Rodrigo Ferraz. Ainda sem data definida, mas previsto para este ano, o evento vai reunir restaurantes e produtores do país inteiro na praça José Mendes Júnior, entre a praça da Liberdade e a rua da Bahia, no Funcionários. “Queremos mostrar como se dá a cadeia produtiva da gastronomia brasileira, envolvendo pequenos produtores, restaurantes grandes e comércios pequenos”, adianta Ferraz.

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