Mão inglesa traz prejuízo e fecha lojas de móveis

Dos 40 estabelecimentos da Silviano Brandão, quatro já fecharam

iG Minas Gerais | Thaís Pimentel |

Aperto. Coordenadora do polo moveleiro da Silviano Brandão, Eliana Reis lamenta situação no local
JOAO GODINHO / O TEMPO
Aperto. Coordenadora do polo moveleiro da Silviano Brandão, Eliana Reis lamenta situação no local

Quatro das 40 lojas que fazem parte do polo moveleiro da avenida Silviano Brandão, no bairro Sagrada Família, no trecho próximo à rua Pitangui, fecharam as portas desde o início da implementação da mão inglesa na circulação de veículos no local.

A alteração vai das ruas Teodomira Diniz Lara e Capuraque até a avenida Cristiano Machado. A Móbile, uma das mais tradicionais lojas de móveis da capital, foi obrigada a deixar a região nesta semana. Os comerciantes reclamam que essa parte da avenida Silviano Brandão que ficou com a mão inversa vem sofrendo com a retirada das vagas de estacionamento, de local para carga e descarga e com a dificuldade de travessia, já que grades foram instaladas no canteiro central. “O movimento caiu mais de 50%. Se essa situação continuar, as 40 lojas desse pedaço vão fechar”, lamenta Eliana Reis, coordenadora do polo moveleiro da Silviano Brandão. Segundo ela, esses estabelecimentos pagam, por mês, R$ 800 milhões em impostos. “Tem uma loja de equipamentos para cozinha que faturava R$ 30 mil por mês. Agora não chega a R$ 8.000”, disse. O comerciante Guilherme Simeone, dono de uma loja de móveis artesanais na Silviano Brandão, enfrenta problemas para pagar as contas e quitar os direitos trabalhistas dos funcionários. “Tive que me virar para acertar as férias de um empregado. Essa mudança está acabando com o nosso comércio por aqui”, desabafou. Os lojistas querem melhorias na circulação e travessias para os pedestres. “A gente tem reclamado muito com a prefeitura, mas principalmente com a BHTtrans. Até agora, nada foi feito”, reclama Eliana Reis. Resposta. A BHTrans esclarece que a implantação da mão inglesa na região foi necessária para que houvesse maior fluidez do tráfego por causa da operação do Move. Isso permitiu menor tempo de espera no sinal da intercessão entre as avenidas Silviano Brandão e Cristiano Machado. Sem a mão invertida, a conversão no local seria proibida. Sobre a reclamação dos comerciantes para locais de carga e descarga, o órgão diz que vão ser implantadas áreas específicas. Há também projetos operacionais de rebaixamento do passeio para facilitar o acesso e também uma travessia elevada para segurança de pedestres. Não há previsão para o início das obras. O Move provocou mais reclamação de lojistas de outras regiões da cidade. Os pontos de ônibus da rua Padre Belchior, no centro da capital, foram retirados por causa de obras do BRT. Lojistas alegam que sem eles o fluxo de pessoas caiu, prejudicando as vendas. “Ainda bem que a minha loja também tem saída para a rua Curitiba porque já houve queda de quase 90% no movimento pela Belchior. Se eu dependesse só dela, já tinha saído daqui”, afirma o comerciante Elieser Oliveira. 

Entenda a mudança feita na região

Inversão de sentidos: A mão inglesa foi implantada na avenida Silviano Brandão em janeiro, para desafogar o trânsito nas regiões Leste e Nordeste Veículos que seguem em direção à avenida Cristiano Machado, sentido centro, têm que mudar de pista próximo à rua Capuraque Quem vai sentido Venda Nova, deve acessar à direita a rua Teodomira Diniz, que fica antes da mão inglesa  

Lojistas da avenida Paraná já demitem por causa do BRT Mesmo depois da conclusão das obras da estação Move da avenida Paraná, a situação dos comerciantes estabelecidos na região não melhorou. Muitos alegam que os negócios pioraram depois do início do funcionamento do BRT, por causa da diminuição de circulação das pessoas nas calçadas da avenida do centro. É o caso da gerente Patrícia Leonel, que trabalha em uma loja de artigos para casa. “As vendas caíram 40% em relação ao ano passado. A gente vendia, em média, R$ 5.000 por dia. Agora, não passa de R$ 1.500”, reclamou. Ela teve que dispensar dois dos sete funcionários da loja por causa da queda no faturamento. A prefeitura alega que os comerciantes que se sentirem lesados pela administração pública podem procurar a Junta Administrativa de Indenizações, que fica no BH Resolve (avenida Santos Dumont, 363, Centro). O pedido será avaliado pela Procuradoria Geral do Município, e o valor da indenização pode chegar a R$15 mil.

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