Sob uma nova perspectiva otimista

Marcelo Jeneci mostra canções de seu último álbum, “De Graça”, e sucesso s de carreira, em show na praça da Savassi

iG Minas Gerais | Vinícius Lacerda |

Público tem acompanhado os shows do projeto Som Clube. Na semana passada, quem se apresentou foi Thiago Pethit
Marcello Nicolato
Público tem acompanhado os shows do projeto Som Clube. Na semana passada, quem se apresentou foi Thiago Pethit

Em novembro do ano passado, o cantor Marcelo Jeneci fez um show em Belo Horizonte para apresentar seu último álbum, “De Graça”. Mas a experiência não foi tão legal por causa da pouca audiência. “Foi em um feriado e eu não sabia que as pessoas geralmente não ficam na cidade”, afirma o cantor. Agora, ele retorna à capital mineira para apresentação única na praça da Savassi, hoje, como parte do projeto Som Clube.

Por ser em uma praça pública e ao ar livre, Jeneci acredita que desta vez o disco “vai bater com o pessoal de BH”. “O lugar dialoga muito bem com a ideia de viver com graça, de compartilhar a vida”, diz o cantor ao enumerar temas que orientam seu último disco.

“De Graça”, é assim como seu antecessor, “Feito para Acabar”, um álbum de canções com a essência voltada para o belo e que expressa positividade mediante situações difíceis. A música “Alento” exemplifica bem essa combinação: “Se o gás acabar e o sonho ruir / Se o choro chegar e o céu te engolir / Nossa música que lhe faz bem / Você pode descer desse trem”.

Apesar de ser conhecido por manter em suas composições um olhar sobriamente positivo, Jeneci diz que não se considera um cantor otimista. “Eu não acho que tudo sempre vai dar certo, somente vejo como natural que as coisas funcionem. Sou um cara positivo na hora da dor e na forma de lidar com ela. Acho que tudo isso precisa ser visto com um olhar construtivo”, diz Janeci, que completa com uma frase do cineasta Pedro Almodóvar: “Sou um cara apaixonado pela vida e acho que ‘o segredo é viver sem perder a fascinação’”.

E, se por um lado, o conteúdo de seus dois álbuns apresenta similitudes, na parte sonora se distanciam. Há em “De Graça” um rebuscamento nas camadas musicais, experimentado pela primeira vez pelo cantor. “Foi uma mudança necessária e uma preocupação que tive desde o começo do trabalho. Queria que ele fosse um pouco mais longe da simplicidade madura que havia no primeiro”, afirma. O resultado foi um conjunto de canções instrumentalmente mais ousadas, mais “sujas”. “São mudanças lisérgicas”, diz.

Embora o repertório a ser apresentado hoje priorize canções do segundo álbum, sucessos como “Felicidade” também estão na lista além de algumas “surpresas” de outros compositores. “Montei esse show, que atravessa o Brasil inteiro, com a mesma cara. Mas ele foi pensado de uma forma que não seja previsível para quem já escutou o disco, porque eu acho que as pessoas devem assistir um show diferente do que ouviram em casa”, afirma.

Composição. Natural de Guiaianases, região Leste de São Paulo, Jeneci é filho de mãe paulista e pai pernambucano. Tanto o local onde nasceu quanto a descendência paterna, estão presentes em suas letras. “Minhas composições têm muito da minha infância e do agreste de Pernambuco. É como se fosse marcando um calendário emocional ou montando um mapa de como voltar para casa, a cada música que faço”.

Porém, para ele não basta ter boas referências. A criação de novas letras vem de ideias e de um trabalho árduo. “É uma mistura de ‘insights’ com uma insistência para que a letra fique boa”, diz.

A dedicação resulta em trabalhos reconhecidos não só pelo público do artista, mas também por outros cantores. Ele tem letras gravadas por Vanessa da Mata, Arnaldo Antunes e Zélia Duncan. Todas guiadas pela estrutura geral que perpassam por suas obras. “Essa ligação afetiva com a vida, com pessoas, a busca por beleza nas relações, é de fato o que define o que faço. Isso somado ao tronco popular da minha música e a preocupação com o acabamento estético”, conclui. Serviço. Som Clube com Marcelo Jeneci. Hoje, às 18h30, na rua Antonio de Albuquerque esquina com avenida Getúlio Vargas. Gratuito.

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