Os japoneses do Velho e do Novo Mundo

iG Minas Gerais |

Hélvio
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Depois de uma temporada europeia rica de experiências gastronômicas, a comparação costuma ser inevitável e na maioria das vezes em nosso desfavor. Mas há aspectos com que o consumidor brasileiro pode se decepcionar lá fora, como a limitada oferta de pescados crus nos restaurantes japoneses do velho mundo. Isso não significa comida ou relação custo-benefício necessariamente piores, mas é claro que o sashimi do Sushi Naka, Kabuto, Udon, Hokkaido, Nigiri dificilmente encontra par do lado de lá, seja qual for o nível do estabelecimento escolhido. Uma boa referência em Paris é o Sukiyaki, na rue da la Roquette 12. Na Bastilha, a cinquenta metros da Ópera, quatro ou cinco estações de metrô nas imediações, reúne frequência numerosa e de classe média. O ambiente é descontraído, estilizado, espremido nas laterais e bem comprido. Felizmente não havia fumantes, coisa rara em Paris. O atendimento familiar é eficiente, alegre e capaz de acomodar, no espaço relativamente pequeno, quem vai chegando. Asiáticos assemelham-se mais a nós que aos europeus no quesito jogo de cintura. Tudo delicioso, em especial os sushis de enguia e ovas de salmão, os tempura, o missoshiro de perfeita condimentação, os espetinhos grelhados e, claro, o prato que dá nome à casa, suculento e fumegante. A conta para dois, na faixa dos oitenta euros, é bem justa. Barata para os padrões parisienses. Pode-se dizer o mesmo da conta equivalente no nosso Sushi Naka, ressalvadas as vantagens e desvantagens. A começar do serviço, que, se nunca foi um primor, piorou. O teishoku é uma modalidade interessante de almoço japonês, bastante completa do ponto de vista nutricional e do paladar. Como havia conferido semanas antes o do Kabuto, posso dizer que este leva vantagem, em diversidade. No quesito tempura o Naka levou vantagem, mas nos pescados o Kabuto empatou o jogo e ganhou na falta de gyosa à mesa da concorrência. Acho que só nessas duas casas de famílias japonesas encontra-se o teishoku, que é recorrente nos japas paulistanos tradicionais. Para quem quer ter uma ideia do que oferecem restaurantes japoneses em praças tão distantes como Paris ou Katmandu, é ótima pedida. Deixe o combinado para outro dia e se arrisque.

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