O Rappa volta de hiato e tenta resgatar rótulo de heróis da música

Show na capital mescla o disco mais recente da banda, “Nunca Tem Fim...”, com hits da carreira

iG Minas Gerais | LUCAS SIMÕES |

Falcão, vocalista d’ O Rappa, banda que se apresenta em BH
Daniel de Cerqueira/O Tempo
Falcão, vocalista d’ O Rappa, banda que se apresenta em BH

Imagine um fim do mundo em que, em vez de lixo e destruição, o cenário seja de super-heróis ancorados por uma nave espacial, enquanto o Cristo Redentor acaba soterrado por livros. Os desenhos do paraibano Mike Deodato (que coincidentemente já trabalhou para a Marvel), não integram uma série de quadrinhos, mas sim a capa do último disco da banda O Rappa, “Nunca Tem Fim...” (2013), base de show amanhã na capital, no Expominas.

“Vivemos cercados do caos e o disco sugere lidar com isso de forma positiva, como o mundo acabar em livros. É uma alternativa para lidar com problemas que existem há décadas e que sempre falamos na banda, mas que volta e meia surgem de novas formas na sociedade”, justifica o tecladista Marcelo Lobato.

Após dois anos de hiato da banda e rumores de que os músicos poderiam se separar, Marcelo Falcão (vocal) Xandão (guitarra), Lauro Farias (baixo) e Marcelo Lobato (teclados), apresentam esse show novo, mas com a mesma fórmula de letras sociais e sonoridade quase idêntica aos trabalhos anteriores.

A volta aconteceu depois de a banda sanar os problemas com a gravadora Warner, com quem eles não trabalhavam há 14 anos.

Com dez faixas, “Nunca Tem Fim...” resgata um vigor sonoro da banda sob a batuta do produtor Tom Saboia, que, como bom guitarrista de metal, influencia os acordes mais densos de Xandão. Mesmo que o disco soe um pouco repetitivo em faixas que parecem estar inseridas num molde único de criar composições, como as músicas “Anjos” e “Auto-Reverse”, a banda que teve Marcelo Yuka como grande compositor ainda apresenta algumas letras instigantes. Exemplo é a faixa “Doutor, Sim, Senhor”, que tem um refrão social empolgante, além de “Cruz de Tecido”, que fala sobre o acidente com o avião da TAM, em 2007, que deixou 199 mortos no aeroporto de Congonhas, em São Paulo.

No entanto, o repertório do show é seguro por sucessos da carreira, como “Reza Vela”, “Pescador de Ilusões”, “Me Deixa” e “Minha Alma”. Para quem já foi considerado herói de uma nova sonoridade da música brasileira na década de 90, O Rappa deixa para mostrar no palco se o rótulo ainda persiste.

 

Agenda

O quê. Show O Rappa

Onde. Expominas (avenida Amazonas, 6.200, Gameleira)

Quando. Amanhã, às 19h30

Quanto. R$ 140 (inteira) e R$ 70 (meia-entrada)

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