Pacientes ainda se queixam da falta de medicamentos

Negativa a usuários do SUS tem causado ainda mais revolta desde que O Tempo Betim revelou que governo repassou R$ 43 mil para empresário que mora em Belo Horizonte

iG Minas Gerais | Dayse Resende |

Glaucoma. 
A aposentada Adélia Marques não consegue colírios
FOTO: JOAO LEUS / OTEMPO
Glaucoma. A aposentada Adélia Marques não consegue colírios

 

A notícia de que o ex-secretário municipal de Educação Carlos Abdalla, dono de uma grande rede de ensino particular e que mora em Belo Horizonte, recebeu R$ 43.630 em medicamentos continua repercutindo negativamente entre os betinenses, principalmente entre familiares de pacientes que tiveram negado o fornecimento de remédios pela Secretaria Municipal de Saúde.   Esse é o caso de Jonatan Alves, que sofre de mal de Parkinson – uma doença degenerativa do sistema nervoso central que provoca tremores e dificuldade na coordenação. Há oito meses, ele tenta conseguir o Prolopa, medicamento que age restaurando a função motora, no Sistema Único de Saúde (SUS). No entanto, Alvez diz que sempre é informado por funcionários das Unidades Básicas de Saúde (UBSs) da cidade de que o medicamento “está em falta”.   “Quando soube desse caso (do Abdalla), me senti ainda mais motivado a correr atrás dos meus direitos. O Parkinson é uma doença degenerativa, e, com esse remédio, o parkisoniano tem a chance de prolongar as suas atividades normais”, disse o empresário.   Por mês, ele consome cinco caixas do medicamento. “Por dia, tomo cinco comprimidos”, conta ele, ao ressaltar que cada paciente tem um tipo de prescrição. “Se não fosse o fato de eu ter condições de comprar essas caixas, estaria há meses sem o medicamento”, destaca ele, que é empresário. Cada caixa do Prolopa custa cerca de R$ 60. No caso de Alves, são gastos R$ 300 por mês. “Betim tem vários parkisonianos. No último dia 5, por exemplo, enquanto estava no Centro de Especialidades Divino Braga aguardando atendimento, cerca de 15 pacientes com essa doença compareceram à unidade em busca do Prolopa”, destaca.   Para tentar ajudar essas pessoas, Alves está criando a Associação de Portadores de Parkinson de Betim. “Quero poder ajudar essas pessoas. Graças a Deus, tenho condições de comprar esse remédio. Quem não tem sofre muito”, ressalta.   Quem também reclama é a dona de casa Jaqueline Cristina Marques de Oliveira. Ela conta que, há mais de quatro meses, a sua mãe, a aposentada Adélia Lúcia Marques, está sem dois colírios para o tratamento de Glaucoma. “São remédios que minha mãe tem direito de ter, mas, infelizmente, não estamos conseguindo pelo SUS”.   Por mês, a aposentada gasta cerca de R$ 100 na compra dos colírios. Segundo Jaqueline, o valor tem feito a diferença no orçamento da família. “Minha mãe mora com a minha irmã, que está desempregada. Essa situação é muito constrangedora”, diz. Em 2012, para conseguir os colírios, Jaqueline acionou o Ministério Público.    Através de nota, a prefeitura informou que há um déficit do medicamento Prolopa na rede de saúde pública estadual e que a distribuição do mesmo é uma responsabilidade do Estado. Ainda segundo o Executivo, para sanar o problema no município, a Secretaria Municipal de Saúde abriu um processo licitatório para comprar o medicamento, no entanto, “o mesmo não está disponível para venda no mercado brasileiro”, ressaltou. A prefeitura informou ainda que a previsão é que a distribuição do medicamento para a rede pública seja feita na segunda quinzena de maio. Sobre os colírios, o Executivo negou que eles estejam em falta na rede, já que eles são distribuídos pelo Consórcio Intermunicipal de Saúde do Médio Paraopeba. 

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