Sob vaias e muito tumulto, Câmara aprova reajuste salarial

Projeto do executivo apreciado na terça concede aumento parcelado de 7%, sendo a primeira parte, 3%, reatroativa ao mês de abril; e a segunda, 4%, em agosto

iG Minas Gerais | Lisley Alvarenga |

Após o fim da reunião, maioria dos vereadores teve que ser escoltada pela Guarda Municipal e houve um início de tumulto
João Lêus
Após o fim da reunião, maioria dos vereadores teve que ser escoltada pela Guarda Municipal e houve um início de tumulto

Mesmo com a proposta de reajuste salarial sendo rejeitada pelos servidores municipais da Saúde e da Educação, que estão em greve há vários dias, os vereadores aprovaram o projeto de lei do prefeito Carlaile Pedrosa (PSDB) que concede reajuste escalonado de 7% ao servidor público. A primeira parcela, de 3%, será retroativa ao mês de abril, e a segunda parte, de 4%, somente será paga em agosto.

A votação, ocorrida na reunião da Câmara de terça (6), foi marcada por forte protesto. Com vaias e gritos, os servidores chamaram o prefeito de “mascarado” e o presidente da Casa, Marcão Universal (PSDB), de “ditador”. Logo após o fim da sessão, grande parte dos parlamentares teve que ser escoltada pela Guarda Municipal, e houve ainda um início de tumulto no momento em que Marcão e outros vereadores tentaram sair do plenário.

“Na ânsia de sair, Marcão empurrou as pessoas, que, revoltadas, o empurraram de volta. É inadmissível uma atitude truculenta como essa vinda de um representante do povo”, criticou um servidor, que pediu para não ser identificado.

Com a aprovação do aumento, os trabalhadores da saúde, em greve desde segunda (5), informaram que vão continuar de braços cruzados por tempo indeterminado. Já os educadores, paralisados há 23 dias, vão decidir nesta sexta (9), em assembleia, se retomarão as atividades.

Segundo o coordenador do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE), Luiz Fernando Souza, a categoria esperava, no mínimo, que os vereadores propusessem reajuste integral de 7% ou que discutissem a proposta. “No entanto, o presidente da Câmara não consegue ouvir os anseios da população e não dá conta de abrir essa discussão. Ele optou por não abrir o debate e colocar a votação do projeto em bloco. Isso gera insatisfação dos trabalhadores. Espero que, qualquer que seja a administração de Betim, que ela tenha o bom senso de dialogar com os trabalhadores, ato que não foi feito agora nem pelo Executivo nem pela Casa”.

A diretora do Sindicato dos Trabalhadores da Saúde (Sind-Saúde), Berenice Freitas, também criticou os vereadores e a atual gestão. “O governo faz o que quer da Câmara. O vereador Antônio Carlos (PT) e outros parlamentares pediram uma emenda com um reajuste maior, e o presidente da Casa nem sequer quis ouvi-los. Do outro lado, o governo é truculento e demonstra cada vez mais que não tem compromisso com o trabalhador”, criticou Berenice.

Favorável a proposta de reajuste, Marcão afirmou que foi coerente em seu posicionamento. “No governo da Maria do Carmo, que concedeu um reajuste menor, de 2%, eu votei a favor. Agora, no governo de Carlaile, não poderia ser diferente”.

Na visão de especialistas e dos sindicalistas, o parcelamento do reajuste proporciona aos servidores um ganho real de apenas 5,66%, e não de 7%, como promete a prefeitura. O contador e auditor fiscal Lindolfo Fernandes de Castro explicou que um servidor com salário de R$ 1.000 passará a ganhar R$ 1.030 entre abril e agosto. Depois de agosto, o vencimento passará para R$ 1.070. A soma anual significa um montante de R$ 12.680, que, dividido em 12 meses, compreende um vencimento de R$ 1.056,60, ou seja, 5,66% maior do que é hoje.

Resposta

Em nota, a prefeitura informou que a proposta de reajuste de 7% é o máximo que o governo pode oferecer e que as demais reivindicações de cada categoria continuarão sendo discutidas nas mesas permanentes de negociação que continuarão ocorrendo ao longo do ano.

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