Bairro com maior taxa de roubos perde sede da PM

Companhia 174ª, que funcionava na rua Clóvis Salgado, no centro, foi transferida para a sede do 33° Batalhão, no Angola; comerciantes temem aumento da criminalidade

iG Minas Gerais | Dayse Resende |


Angola. 

No mesmo dia, os móveis foram entregues por funcionários da prefeitura na sede do 33° batalhão
FOTO: MOISES SILVA / OTEMPO
Angola. No mesmo dia, os móveis foram entregues por funcionários da prefeitura na sede do 33° batalhão

Moradores e comerciantes do centro de Betim estão temendo um aumento ainda maior da criminalidade no bairro, que já registra o maior número de roubos da cidade. Isso porque a Cia. 174ª da PM foi retirada da rua Clóvis Salgado, onde funcionou por cerca de dez anos, e transferida para a atual sede do 33° Batalhão, no bairro Angola.

A mudança ocorreu na terça-feira (6). A reportagem de flagrou funcionários da prefeitura, responsável pelo pagamento do aluguel do imóvel da antiga sede, transportando a mobília em um caminhão. O Tempo Betim

Comerciantes que estão preocupados com um possível aumento da violência na região fizeram um abaixo-assinado pedindo a permanência da unidade no antigo endereço. O documento, contendo quase 300 assinaturas, segundo eles, deverá ser entregue ao prefeito Carlaile Pedrosa e ao comandante do 33° Batalhão, tenente-coronel Jair Pontes Neto.

“Desde que soubemos que a mudança iria acontecer, há 15 dias, o nosso sossego acabou, pois, com a Companhia 174ª funcionando no centro, os criminosos já não se intimidavam, imagina daqui para frente, com a unidade funcionando em outro bairro”, disse o comerciante Célio Amaral.

Uma vendedora, que pediu para não ser identificada, também tem medo. “Nos últimos anos, o estabelecimento onde trabalho já foi alvo de criminosos pelo menos por cinco vezes. Agora, vamos ter que fechar mais cedo”.

Outra comerciante que reclamou foi Juliana Amaral. Ela tem uma loja na avenida Nossa Senhora do Carmo. “Há dois anos trabalhando neste ponto, perto da Cia. 174ª, nunca fui assaltada. Mas, agora, estou me sentindo ameaçada”. Números da Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds) revelam que, somente entre janeiro e agosto de 2013, o bairro que registrou o maior número de crimes na região Central foi o centro, com 1.924 ocorrências. Violência

Na avaliação de um militar, que pediu para não ser identificado, a saída da companhia do antigo imóvel pode gerar aumento do número de crime perto da Cia. 174ª . “Essa unidade foi instalada no centro, há quase uma década, justamente para criar um sentimento de segurança entre a população e ser um ponto de referência para o registro de ocorrências. Agora, isso tudo será perdido. Além disso, os criminosos se sentirão mais livres para poder agir”.

Já para o assessor de imprensa do 33° Batalhão, capitão Antuer Júnior, a população não tem motivos para se preocupar, porque “o policiamento de manutenção ostensiva da ordem pública é lançado independentemente da posição física da sede da companhia”.

Ainda de acordo com o capitão, a mudança de local ocorreu porque o imóvel no centro não atendia às necessidades da corporação. Ele também destacou que, agora, parte do administrativo da antiga sede da 174ª será lançada operacionalmente no centro. “Por dia, serão cerca de cinco policiais a mais na rua. O centro está na pauta de prioridade do nosso comandante”, frisou.

 

Guarda deve ocupar imóvel

 

Segundo a assessoria de imprensa da prefeitura, o imóvel deverá ser ocupado por parte da Guarda Municipal. Com isso, apesar de a Polícia Militar não ocupar mais o imóvel, a prefeitura continuará pagando o aluguel.   Hoje, o efetivo da Guarda fica localizado em vários prédios públicos, como no parque de exposição e no Centro Administrativo.   Segundo o corregedor da guarda, João Bosco, a chefia da corporação solicitou o imóvel por considerar o local estratégico para que a Guarda possa ajudar na segurança pública da cidade. A prefeitura ainda esclareceu que não teve nenhuma participação na mudança da Cia. 174ª do centro. 

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