Ocupantes da Willian Rosa se reúnem com MP e Secretaria de Saúde

Encontro foi para tratar da ação violenta da PM durante confronto com manifestantes na noite dessa quarta (6); sobre os casos de meningite que mataram dois bebês na ocupação e a falta de atendimento médico para esses moradores

iG Minas Gerais | Gustavo Lameira |

Representantes da ocupação Willian Rosa, do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e da Secretaria Municipal de Saúde de Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, se reuniram na tarde desta quinta-feira (8). O encontro foi para discutir o confronto entre policiais militares e manifestantes na noite dessa quarta (7), na avenida Severino Ballesteros, no bairro Jardim Laguna.

Além disso estavam na pauta os dois casos de meningite que levaram a óbito dois bebês da ocupação. Para os manifestantes, o atendimento médico, garantido a todo cidadão brasileiro, não é estendido aos moradores da ocupação por não possuírem um endereço e situação regularizada.

Conforme Lacerda dos Santos Amorim, um dos líderes da Willian Rosa, a reunião com o Ministério Público aconteceu  na Promotoria  dos Direitos Humanos de Contagem. A promessa do MP é que uma investigação será feita para apurar a atuação da PM durante o confronto. A assessoria do MP confirmou a reunião, no entanto não soube informar sobre seu teor.

Mais tarde, os representantes da ocupação foram recebidos na Secretaria de Saúde. De acordo com o Lacerda, ficou acertado que uma barreira será feita para deter o avanço da bactéria da meningite que matou um bebê há dois dias e outro há um mês. Uma medicação de emergência também será feita nas pessoas que tiveram contato direto com as vítimas. A reportagem de O TEMPO não conseguiu contato com a assessoria da prefeitura de Contagem para confirmar o encontro.

Sobre o direito à saúde, a Secretaria pediu a liderança da ocupação que providencie um levantamento das pessoas que necessitem de atendimento imediato e de tratamento específicos, para que sejam autorizados os atendimentos delas no centro de saúde do bairro Ressaca, bairro vizinho à Willian Rosa.

Entenda o caso

Uma manifestação entre os moradores da ocupação Willian Rosa, em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte,  foi marcada por conflito com a polícia na noite desta quarta-feira (7). Manifestantes protestam pelas mortes de duas crianças com meningite. Segundo eles, uma teria morrido nessa terça e outra no mês passado, após contraírem a doença.

O embate entre ocupantes e PM teria começado, segundo o ocupante Roberto Verônica, 48, quando uma viatura passou pela avenida Severino Ballesteros Rodrigues, próximo ao Ceasa, onde acontecia uma reunião para alertar os moradores sobre os riscos da doença para as crianças, além de discutir outros assuntos, como o cadastramento de moradores do local. A polícia teria, no entanto, encerrado a assembleia. Ramon Damasceno, ocupante, de 21 anos, afirmou que a primeira agressão partiu da polícia, que feriu as pessoas que estavam reunidas. “A PM 'invadiu' a reunião com truculência e foi aí que começou a guerra. Tem seis feridos de balas de borracha”, declarou

A ocupante Dayse Antônia França afirma  ter sido ferida durante a confusão. "A polícia sabe que a gente fecha a rua. São muitos moradores e por isso a gente faz a reunião na rua. Chegaram uns militares do Gepar e aí aconteceu [a confusão]. Eu mesmo fui ferida. E em novembro do ano passado a polícia fez um ataque aqui e feriu mais de cem pessoas. A polícia tenta matar as pessoas aqui de dentro. Aqui não tem marginal não, aqui só tem trabalhador. O dever da polícia é nos proteger e não nos matar", denunciou.  Após o desentendimento entre PM e moradores da ocupação, três barreiras com fogo, uma delas com pneus, foram feitas pelos populares.

Segundo a assessoria de imprensa da Polícia Militar (PM), dois policiais foram atingidos por pedras. Um deles precisou ser socorrido para uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da região e levou 14 pontos em um dos ferimentos. O outro dispensou socorro médico. Ainda segundo a corporação, após a agressão, militares recuaram e ficaram só observando.

Ainda na versão da polícia, militares faziam patrulhamento de rotina na avenida, quando perceberam que ela estava interditada. Ao se aproximarem, foram atacados por pedras. A corporação que estava na ocorrência informou que não houve conflito após o primeiro embate. Cerca de 80 policiais estiveram no local.

O reforço acabou sendo cancelado já que os ânimos foram acalmados no local. Uma reunião com três líderes da ocupação e representantes da PM e Gate - que chegou antes mesmo do cancelamento do reforço - deu fim ao clima de tensão que rondava o local.

Uma nova assembleia foi marcada pelos ocupantes da Willian Rosa para a próxima sexta-feira, interditando novamente a avenida Severino Ballesteros Rodriguez. Com isto, a Polícia Militar foi avisada do fato e fará a vigilância de rotina no local.

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