Robson Marinho recebeu US$ 950 mil de laranja, diz Justiça suíça

Ele é investigado sob suspeita de ter sido subornado pela Alstom para que a multinacional francesa conseguisse fechar um negócio com a EPTE (Empresa Paulista de Transmissão de Energia) e a Eletropaulo sem a realização de uma nova licitação

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Apontado por promotores como "laranja" de Robson Marinho, o empresário Sabino Indelicato depositou US$ 950 mil (R$ 2,1 milhões) em uma conta dele na Suíça, em março de 1998, num esquema de pagamento de propina da Alstom. A informação consta de decisão de um tribunal federal da Suíça, de março deste ano.

Marinho é conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo e foi o principal secretário do governador Mário Covas (PSDB) entre 1995 e 1997.

Desde 2008, ele é investigado sob suspeita de ter sido subornado pela Alstom para que a multinacional francesa conseguisse fechar um negócio com a EPTE (Empresa Paulista de Transmissão de Energia) e a Eletropaulo sem a realização de uma nova licitação.

O negócio envolvia a venda de três subestações de energia e custou R$ 181 milhões, dos quais R$ 23,3 milhões foram gastos em suborno, tudo em valores atualizados, segundo acusação do Ministério Público Federal.

O dinheiro de Marinho na Suíça está bloqueado desde 2008 por autoridades daquele país por causa da suspeita de que se trata de suborno.

Indelicato recebeu os US$ 950 mil de contas secretas controladas pela Alstom, segundo investigação do Ministério Público da Confederação suíça. Os valores foram depositados para pagar consultorias que não existiram, ainda de acordo com autoridades suíças. As supostas consultorias só serviam para dar uma aparência legal aos recursos que serviram para pagar propina.

Uma das empresas de Indelicato que recebeu dinheiro da Alstom é a Acqua Lux. Investigadores no Brasil e na Suíça não encontraram nenhum serviço prestado pela Acqua Lux que justificasse os pagamentos.

Outro lado

O advogado de Marinho, Celso Vilardi, não quis falar sobre a transferência feita por Indelicato a seu cliente.

Ele comentou, porém, sobre as provas que são citadas na decisão, as quais são ilícitas, segundo ele.

A investigação sobre pagamento de propina pela Alstom começou com um banqueiro, Oskar Holenweger, que criou dezenas de contas secretas para fazer esses pagamentos. Durante a apuração, segundo Vilardi, os promotores suíços infiltraram agentes no grupo do banqueiro. A infiltração levou a Justiça suíça a anular a investigação por considerar que a prova era ilícita, já que os agentes teriam ultrapassado os limites legais.

"Como todo o material enviado ao Brasil deriva dessa prova ilícita, ele não pode ser usado aqui porque o nosso sistema não admite prova derivada da ilícita", defende Vilardi.

A advogada de Indelicato, Dora Cavalcanti, afirmou que a defesa não vai se manifestar sobre os documentos porque "a própria Justiça da Suíça reconheceu a ilicitude do processo em eles foram colhidos".

A Alstom diz que seu código de ética proíbe pagamentos ilegais e afirma estar colaborando com a investigação.

Folha Press

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