Ocupantes se reúnem com MP para falar sobre conflito com a PM

Além disso, os assuntos tratados também abordarão a questão de um possível surto de meningite que acometeu a ocupação e a recusa de atendimento médico e a possibilidade de um cadastramento para os moradores

iG Minas Gerais | JULIANA BAETA |

CIDADES - CONTAGEM MG - 7.5.2014 - Manifestacao proximo ao Ceasa em Contagem MG.
Foto: Douglas Magno / O Tempo
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CIDADES - CONTAGEM MG - 7.5.2014 - Manifestacao proximo ao Ceasa em Contagem MG. Foto: Douglas Magno / O Tempo

Devem se reunir na tarde desta quinta-feira (8) a Promotoria de Direitos Humanos e os representantes da ocupação Willian Rosa, na sede do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). A ocupação teve uma reunião interrompida pela Polícia Militar (PM) na noite dessa quarta-feira (7), o que acabou gerando um conflito do qual saíram feridos militares e membros da Willian Rosa.

A reunião na ocupação acontecia porque duas crianças que contraíram meningite morreram entre o mês passado e a última terça-feira (6). Há a suspeita de um surto da doença na ocupação, já que, segundo Lacerda dos Santos, uma das lideranças, outros dois jovens apresentam sintomas da doença. O embate da reunião era o fato de os ocupantes não receberem atendimento médico pelo Sistema Único de Saúde (SUS) - que garante o direito a todos os cidadãos brasileiros de receberem atendimento médico - por não possuírem comprovante de residência. A possibilidade de um surto aliada a falta de cuidados médicos deixa a ocupação em alerta. 

Segundo os ocupantes, a PM teria chegado a avenida Severino Ballesteros, perto do Ceasa, em Contagem, onde acontecia a reunião, e tentou encerrá-la. Houve o choque entre militares e ocupantes e, ainda segundo Lacerda, pelo menos 10 membros da Willian Rosa ficaram feridos. Uma delas é Dayse Antônia França: "A polícia sabe que a gente fecha a rua. São muitos moradores e por isso a gente faz a reunião na rua. Chegaram uns militares do Gepar e aí aconteceu [a confusão]. Eu mesmo fui ferida. E em novembro do ano passado a polícia fez um ataque aqui e feriu mais de cem pessoas. A polícia tenta matar as pessoas aqui de dentro. Aqui não tem marginal não, aqui só tem trabalhador. O dever da polícia é nos proteger e não nos matar", denunciou.

Segundo a assessoria da PM dois policiais foram atingidos por pedras e um deles precisou ser socorrido para uma Unidade de Pronto Atendimento (Upa) da região e levou 14 pontos. O outro dispensou socorro médico. Ainda de acordo com a corporação, após a agressão, militares recuaram e ficaram só observando.

A assessoria do MPMG informou que nenhuma reunião está oficialmente marcada pela promotoria, mas que, possivelmente, os ocupantes serão recebidos. Lacerda informou que as pautas da reunião são o caso de meningite na ocupação, a possibilidade de cadastramento dos moradores e a ação truculenta da PM - segundo os ocupantes -  na noite dessa quarta.

Outras manifestações

A caminho do MPMG, os representantes da Willian Rosa se depararam com uma nova manifestação na avenida Severino Ballesteros, segundo eles, formada por um grupo de jovens que não faz parte da ocupação. “Não tem nenhum morador da ocupação lá. Eu acho que pode até ter policial infiltrado. Inclusive, esse protesto atrasou a gente pra chegar no MPMG”, disse Lacerda.

No local, os militares afirmaram que a manifestação que começou no início desta tarde na avenida é da ocupação Willian Rosa. Na assessoria da PM, no entanto, ainda não foi registrado nenhum conflito com o nome da ocupação no local.

Mais cedo, na BR-040, quase na divisa com Contagem, cerca de 500 moradores do bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves, queimaram e quebraram ônibus em protesto pela melhoria no transporte que atende a região e melhorias no bairro, como asfaltamento de ruas e regulamentação fundiária de alguns lotes. Dois homens e uma mulher foram presos. Neste caso, a manifestação foi encerrada no fim da manhã desta quinta-feira e a rodovia está liberada desde então. 

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