Não vai adiantar ao PT tentar tapar o sol com a sua peneira

iG Minas Gerais |

DUKE
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O movimento “Volta, Lula”, na realidade, surgiu no início do governo da presidente Dilma Rousseff. Foi estimulado por boa parte do PT, à frente, garbosamente, o ministro Gilberto Carvalho, que sempre sonhou com o rápido retorno, à condição de titular do time, do notável reserva. Preocupado com os maus presságios que se delineiam no horizonte, o movimento ganhou o apoio do deputado Bernardo Santana (MG), líder do PR. De maneira pouco convencional (ao expor a foto do ex-presidente Lula em seu gabinete), ensaiou, na semana passada, uma ruptura com o governo Dilma, mas não com o PT de Lula. Dizem as más línguas que, na realidade, seu partido anda mesmo é saudoso do ministério que perdeu e, só por isso, faz ameaças com bazófias e fanfarrices. Dizem essas mesmas línguas que, até junho próximo, ainda ocorrerão perigosos surtos de infidelidade, oriundos de outros partidos (PTB, PP e PSD são os mais lembrados). No caso do PR, o jornalista Ilimar Franco, na sua coluna em “O Globo”, noticiou que o Palácio do Planalto decidiu que seu líder não será mais recebido pelos ministros palacianos. Se tal ocorrer, lhe terá sido aplicada severa e cruel penalidade, que qualquer deputado sabe o quanto machuca e dói. O movimento “Volta, Lula” pode ter agradado ao chefe, mas, para que obtivesse sucesso – e esse raciocínio não exige esforço mental–, precisaria de duas pré-condições. A primeira: que a presidente Dilma, por essa ou aquela razão, não pudesse (ou não quisesse) ser de novo candidata. E a segunda: que o ex-presidente Lula aceitasse enfrentar de bom grado uma situação que, a cada dia que passa, se torna mais adversa. Finalmente, no 14º Encontro Nacional do PT (que, obviamente, não teve a presença do PR), ocorrido na última sexta-feira, na cidade de São Paulo, ficou clara a impossibilidade da ocorrência dessas condições. A presidente, então, recebeu, em tom solene, “a missão honrosa, desafiadora, de ser a pré-candidata do PT à Presidência da República”.

Lula teve razão quando disse, no fim do encontro, que “não vai ser moleza mesmo”, referindo-se ao embate que se avizinha. Ele pode dizer bobagens, como aquela que feriu uma das mais importantes instituições do nosso país, mas ninguém pode ignorar a sua astúcia. Ele pode não saber – ao lado de um monte de coisas – qual é, por exemplo, a verdadeira função da Suprema Corte num país de regime democrático. Sabe, porém, muito bem, como sabemos todos nós, que o descrédito que cresce contra o atual governo não se dirige, unicamente, à pessoa da presidente (que é, indiscutivelmente, uma das maiores responsáveis pelo insucesso do seu governo), mas ao seu partido. Ou, para ser mais claro, ao jeito de governar do PT. Que, finalmente, esgotou, cansou. E não adianta tapar o sol com a peneira! O ex-presidente conhece bem o provérbio que dá título a este artigo. Por isso, vai até o fim com a candidata que inventou. É pertinaz e não tem como se livrar dela. Será seu principal cabo eleitoral. Ele sabe que, se substituí-la, a gerentona lhe causará muitos dissabores. Enfim, um registro: a morte dos próximos nos traz a proximidade da morte. No último sábado, seis dias depois de completar 99 anos, faleceu Maria Geralda Tamm de Lima Belfort, uma mulher aparentemente frágil, mas que teve a coragem de deixar – aos filhos, netos, bisnetos, parentes e amigos – um testemunho de fé, humildade e respeito ao próximo. Deixou-nos como sempre viveu. Delicadamente.

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