Renan decide por CPI mista do metrô e da Petrobras

Aliados do governo tentam manter investigação só no Senado

iG Minas Gerais |

Ataques. Renan Calheiros foi acusado de agir a favor de Dilma, que disse ser o alvo da investigação
RENATO COSTA - estadão conteúdo -6.5.2014
Ataques. Renan Calheiros foi acusado de agir a favor de Dilma, que disse ser o alvo da investigação

Brasília. O presidente do Congresso, Renan Calheiros (PMDB-AL), determinou nessa quarta a instalação de duas CPIs mistas (com deputados e senadores) para investigar a Petrobras e o cartel do Metrô de São Paulo. Em sessão do Congresso, o PT apresentou questionamento para tentar inviabilizar a comissão mista da Petrobras, enquanto o PSDB pediu a instalação imediata da CPI depois de acusar Renan de adotar manobras que beneficiam o governo.  

Os líderes dos partidos terão até o final da semana que vem para indicar os membros da comissão mista da Petrobras, o que na prática adia o começo das investigações – como defende o Palácio do Planalto. Além disso, Renan recorreu à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado para que o órgão se manifeste sobre qual deve ser a abrangência das investigações.

Os petistas argumentam que, como a CPI da Petrobras do Senado foi instalada antes da mista, ela tem preferência para funcionar – e a segunda não deveria nem ser instalada. Em seu questionamento, o PT cita o Código do Processo Penal para afirmar que, quando há duas investigações simultâneas por um mesmo “juiz”, prevalece a criada inicialmente. “O STF já decidiu pela instalação da CPI da Petrobras no Senado Federal, o que antecedeu o ato de criação da CPI mista, com o mesmo objeto de investigação. Por isso, a CPI do Senado é que deve investigar”, disse o líder do PT, senador Humberto Costa (PE). O PT defende a CPI exclusiva de senadores porque tem mais força para controlar as investigações no Senado. Dos 13 integrantes da CPI do Senado, apenas três são da oposição.

Na contramão dos petistas, o PSDB apresentou outro questionamento em que afirma que a comissão mista já deveria estar funcionando porque foi lida no Plenário do Congresso em abril – e o prazo para a indicação dos seus membros já teria acabado.

Líderes da oposição fizeram sucessivas acusações de que Renan está agindo para beneficiar o Palácio do Planalto, retardando as investigações. “Vossa Excelência não é presidente do Congresso da presidente Dilma Rousseff, é presidente do Congresso de todos os parlamentares, do povo brasileiro”, atacou o deputado Mendonça Filho (DEM-PE).

Alvo. A presidente Dilma Rousseff disse em jantar com jornalistas, na noite dessa terça, que não teme a instalação da CPI para investigar a Petrobras. Porém, afirmou que o objetivo da oposição ao insistir com a apuração no Congresso é atingi-la. “O interesse todo nessa história sou eu (....) Eu representava o poder controlador”, disse.

Chinaglia é o novo vice-presidente da Câmara Brasília. O ex-líder do governo na Câmara Arlindo Chinaglia (PT-SP) foi eleito nessa quarta vice-presidente da Casa, posto antes ocupado pelo deputado licenciado André Vargas (sem partido-PR). Antigo titular do posto, Vargas se viu obrigado a renunciar ao cargo de vice e pedir desfiliação do PT depois de virem a público denúncias da ligação dele com o doleiro Alberto Youssef, preso desde março e investigado pela Operação Lava Jato, da Polícia Federal. Vargas responde agora a um processo por quebra de decoro parlamentar no Conselho de Ética da Câmara. Relator do caso, Júlio Delgado (PSB-MG) disse que está tendo dificuldades para notificar o deputado. Outro que deve ser alvo do colegiado pelo mesmo motivo é o deputado Luiz Argôlo (SDD-BA). Nessa quarta, parlamentares do PSOL protocolaram representação contra ele no Conselho de Ética.

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