Minas registrou 66 crimes de preconceito neste ano

Apesar do número de ocorrências, apenas cinco pessoas estão presas por esse delito no Estado

iG Minas Gerais | Luiza Muzzi |

Funcionários de boate teriam discriminado clientes no último sábado
Alex de Jesus - 10.1.2014
Funcionários de boate teriam discriminado clientes no último sábado

Minas Gerais registrou, apenas nos quatro primeiros meses deste ano, 66 ocorrências de crimes de preconceito de raça ou de cor, de acordo com dados da Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds). Na média, um caso foi contabilizado no Estado a cada dois dias. No mesmo período do ano passado, foram 63 ocorrências. Apesar das denúncias, existem apenas cinco pessoas presas em todo o Estado pelos crimes de racismo ou injúria racial. Conforme O TEMPO mostrou nessa quarta, algumas mulheres denunciaram, em redes sociais, casos de discriminação sofrida na entrada da boate Swingers Lounge, no bairro Santa Lúcia, na região Centro-Sul da capital. Segundo os relatos, algumas pessoas – a maioria negras – foram impedidas de entrar no estabelecimento mesmo chegando cedo ou ficando horas na fila, enquanto outras tinham livre acesso ao lugar. “O que levantou o questionamento a respeito da boate foi a diferença de tratamento a pessoas em uma mesma situação”, disse a estudante Rafaele Ariel do Nascimento Santos, 21. Ela e a prima Gabriela Matarazzo, 24, não conseguiram entrar no estabelecimento no último sábado. “Não acuso a Swingers de racismo, mas deixo claro que me senti discriminada pela minha etnia”, disse Gabriela. Segregação. Para a bacharel em direito Thaysa Fidelis, 29, a justificativa da boate de que não existe discriminação, já que várias pessoas negras frequentam a casa, não convence. “Estamos enfatizando a segregação que há nessa casa noturna, o desrespeito com as pessoas que esperam para adentrar e consumir nesse estabelecimento. Os promoters escolhem, sim, quem vai entrar, o carro que vai ficar de vitrine para quem passa por ali e selecionam (quem entra) pelas roupas que as pessoas usam”, afirmou. A Swingers alega que prioriza a entrada dos clientes associados da casa.

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