Casos de roubos crescem mais de 15% no bairro São Bento

Alta refere-se à comparação do primeiro trimestre deste ano com igual período de 2013

iG Minas Gerais | Aline Diniz |

É comum encontrar casas com grades e cercas tipo concertina
leo fontes
É comum encontrar casas com grades e cercas tipo concertina

“Está uma coisa horrorosa. Eles assaltaram minha casa no feriado da Semana Santa. Além da minha, outras quatro residências foram roubadas no mesmo período”, contou uma moradora do bairro São Bento, na região Centro-Sul de Belo Horizonte, que preferiu o anonimato, diante da violência crescente. Os dados da Polícia Militar (PM) confirmam: a quantidade de roubos na área cresceu mais de 15% comparando o primeiro trimestre deste ano com igual período de 2013.  

A informação é do tenente-coronel Eucles Figueiredo Honorato Júnior, comandante do 22º Batalhão da Polícia Militar (PM), responsável pela área. A corporação não informa números absolutos, mas admite ter tomado providências para frear essa alta, como reforço no efetivo.

“Tenho medo até de vir trabalhar, a gente não sabe quem é quem”, disse o funcionário de um depósito, de 58 anos, que também pediu para não ser identificado. Ele relatou à reportagem ter visto, na semana passada, duas armas de brinquedo escondidas em uma árvore que fica em frente ao seu estabelecimento. Um comerciante de 24 anos disse ter presenciado o furto de um carro, por volta das 10h, também na frente desse depósito. “O pessoal está com bastante medo”, afirmou.

Com a intenção de se precaverem, moradores criaram um grupo no aplicativo WhatsApp, há cerca de 15 dias, para que os vizinhos comuniquem ocorrências, presenças de pessoas suspeitas nas ruas ou peçam ajuda. “É uma iniciativa positiva, só são aceitas pessoas conhecidas”, revelou um membro da Associação de Moradores do Bairro São Bento, que pediu para sua identidade ser preservada. Ele comentou ainda que, desde a morte da atriz Cecília Bizzoto – assassinada em outubro de 2012, durante um assalto à sua casa no bairro Santa Lúcia, vizinho ao São Bento – a polícia promete aumentar o patrulhamento na área, mas isso não aconteceu.

O tenente-coronel Júnior explicou que pediu e já obteve reforço de cadetes da Academia de Polícia e do Batalhão Metrópole, formado por militares do administrativo que passaram a atuar na prevenção. Ele não informou quantos são os profissionais que chegaram à área, mas garantiu que já estão nas ruas. Além disso, uma base comunitária da PM circula pelo bairro e outras áreas atendidas pelo 22º Batalhão, como São Pedro, Luxemburgo e Santa Lúcia, todos na região Centro-Sul.

Capital. A Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds)informou que houve um crescimento de 28,4% nos registros de roubo a patrimônios em Belo Horizonte. Foram 6.526 casos contabilizados no primeiro trimestre de 2013 contra 8.380 no mesmo período deste ano.

Para o professor e sociólogo Luis Flávio Sapori, da PUC Minas, o aumento do número de assaltos tem relação com a redução da capacidade repressiva da polícia. “A corporação tem perdido efetivo ao longo dos anos, com aposentadorias precoces”, explicou. O sociólogo informou que a falta de policiamento faz com que os criminosos identifiquem de maneira mais fácil suas vítimas. “São poucos assaltantes cometendo muitos crimes”, afirmou. A solução, conforme Sapori, é a união das polícias Militar e Civil. “É preciso fazer uma repressão qualificada, identificando os assaltantes contumazes”.

Dicas de segurança

Pertences. Não sair de casa com objetos caros à mostra, como relógios, brincos, bolsas, óculos, dentre outros.

Casa. Não deixar o portão da residência aberto enquanto o imóvel é lavado. Não deixar a garagem aberta, mesmo durante saídas rápidas do imóvel.

Atenção. Observar se há alguém suspeito na rua antes de entrar ou sair com o carro da garagem. Ficar atento ainda às pessoas enquanto circula na rua.  

Premeditados

Avaliação. Moradores do São Bento acreditam que esses roubos são premeditados. Para eles, os ladrões vigiam as famílias e esperam o momento certo para invadir as casas.

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