IPTU aumenta até 4.000%

Empresários pretendem negociar e recorrer à Justiça contra alta, que consideram abusiva

iG Minas Gerais | Ana Paula Pedrosa |

Susto. Com o reajuste aprovado, na OMR Componentes Automotivos IPTU subiu de R$ 39 mil em 2013 para R$ 800 mil neste ano
ARQUIVO / O TEMPO
Susto. Com o reajuste aprovado, na OMR Componentes Automotivos IPTU subiu de R$ 39 mil em 2013 para R$ 800 mil neste ano

Os moradores e empresários de Sete Lagoas, na região Central de Minas Gerais, levaram um susto quando receberam as guias do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), que começaram a ser distribuídas em abril. O tributo, que é municipal, foi reajustado no fim do ano passado. Com a nova tabela aplicada pela prefeitura, em alguns casos, a cobrança ficou até 4.000% maior.

É o caso da Auto Forjas, empresa do setor de autopeças instalada na cidade desde 2006. Até o ano passado, o imposto era de R$ 7 por metro quadrado. Neste ano, o valor passou para R$ 280 por metro quadrado. “Os aumentos de impostos em Sete Lagoas estão sendo bastante assustadores”, diz o diretor da empresa, Mário Celso Felippe. Ele diz que irá questionar a alta administrativamente na prefeitura e, senão houver uma solução, pretende entrar na Justiça. No grupo Sada, o IPTU passou de R$ 39 mil em 2013 para R$ 800 mil neste ano. “É um aumento exorbitante”, diz o diretor-geral da OMR Componentes Automotivos, uma das empresas do grupo, Alberto Medioli. Ele afirma que a situação está afetando todos os empresários da cidade, mas eles ainda não se reuniram para uma ação conjunta. “Cada um, de forma isolada, está procurando a prefeitura para negociar”, explica. Os dois empresários acreditam que a alta no tributo pode prejudicar a atração de investimentos para a cidade. “É um problema para as empresas que estão aqui e também para as que querem vir, que vão desistir no meio do caminho”, diz Mário Celso Felippe. “É uma situação que desmotiva qualquer empresa de se instalar em Sete Lagoas”, concorda Alberto Medioli. A Prefeitura de Sete Lagoas foi procurada pela reportagem, mas não se pronunciou. Discussão. O reajuste do IPTU foi aprovado pela Câmara Municipal de Sete Lagoas no fim do ano passado. O aumento nas alíquotas foi aplicado não somente ao setor industrial, mas para todos os imóveis da cidade. Inicialmente, a prefeitura pretendia aplicar reajustes ainda maiores, por considerar que o tributo cobrado estava defasado. De acordo com a prefeitura, a última revisão do IPTU havia sido no ano 2000. A pedido da Câmara, o Executivo elaborou novos cálculos e estipulou novas faixas de valores. Pela proposta original, por exemplo, casas com valores entre R$ 50 mil e R$ 100 mil teriam alíquota única de 0,08%. Com os novos cálculos, foram implantadas alíquotas diferenciadas a cada R$ 10 mil acrescidos no valor venal do imóvel, com percentual máximo de 0,065% para os imóveis avaliados em até R$ 100 mil. 

Petição Abaixo-assinado. Na internet, há um abaixo-assinado questionando “o abuso no reajuste do IPTU 2014 em Sete Lagoas”. Para assinar, basta acessar o site o www.peticaopublica.com.br.

Números 4.000% é a quanto chega o reajuste do IPTU para alguns imóveis em Sete Lagoas. As guias começaram a ser distribuídas no mês passado.

2000 foi o ano da última revisão no IPTU da cidade, de acordo com a prefeitura de Sete Lagoas, o que deixou as alíquotas defasadas.

Cidade, que tem a Iveco, é polo estadual do setor automotivo Sete Lagoas é um polo industrial de Minas Gerais com forte atuação no setor automotivo. A Iveco, por exemplo, tem na cidade uma fábrica de caminhões que é referência em tecnologia e eficiência. A montadora atraiu para o município vários de seus fornecedores. O comércio tem o maior número de empresas da cidade, com 48,7%, mas são as indústrias que pagam os maiores salários da cidade: 44% do total, de acordo com dados da Associação Comercial e Industrial de Sete Lagoas (ACI), Além disso, os industriais também colaboram com a infraestrutura da cidade. No ano passado, por exemplo, o grupo Sada arcou com a compra das manilhas para a instalação da rede de esgoto no distrito industrial de Sete Lagoas. Para comprar cerca de 1 km de manilhas, o investimento ficou próximo a R$ 500 mil.

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