A arte de não fazer comédia

Estrelado por Cameron Diaz, filme tem roteiro solto

iG Minas Gerais | Vinícius Lacerda |

Motim. Mulheres se juntam para realizar vingança contra homem que as traiu
Barry Wetcher
Motim. Mulheres se juntam para realizar vingança contra homem que as traiu

Bem longe das câmeras, o diretor Nick Cassavetes deveria estar escondido, com vergonha de ter assinado a direção de “Mulheres ao Ataque”. Longe de ser engraçado e com problemas básicos de continuação, além de perder-se no roteiro, lento e infantil.

Tudo começa quando a bem-sucedida advogada solteira Carly Whitten (Cameron Diaz) começa a sair com Mark King (Nikolaj Coster-Waldau, protagonista do megassucesso “Game of Thrones”), um homem de negócios que abusa de seu charme e beleza para cima das mulheres.

Depois de oito semanas de relacionamento, um recorde para os padrões de Carly, ela começa a sentir que talvez ele seja “o cara”, mesmo sem querer admitir. Mas ao tentar fazer uma surpresa para o então namorado em sua casa, é surpreendida com a presença de Kate King (Leslie Mann), a esposa de seu (ex) príncipe encantado.

Ao contrário do que usualmente aconteceria em uma situação como essa, as duas acabam se tornando amigas. Mas isso não acontece tão rapidamente. É Kate, com sua insistência histérica misturada ao fascínio por Carly, dona de uma vida independente de homens, que vai atrás de carinho e também de conselhos em relação ao futuro com o marido.

Essa parte do filme arrasta-se por muito mais tempo do que deveria. O espectador aqui já entendeu a situação, as características das personagens já estão muito bem apresentadas (mesmo porque não há nenhum mistério ou complexidade com relação a isso). Mesmo assim, a interação entre as duas se repete tornando o início bem cansativo .

Falta de graça. Passada a primeira fase, elas têm a ideia de se vingarem de Mark. Aí começa uma sucessão de cenas em que a dupla se coloca em situações cada vez mais esquisitas em busca de piadas que não acontecem. Nada mais triste do que a tradicional cena de alguém usando binóculos para espionar o outro em meio a falas idiotas. Se isso já foi engraçado em algum momento, deixa de ser nesta produção.

Como se não bastasse, a cena acontece duas vezes. Na última, a jovem gostosa e inepta Amber (Kate Upton) já integra a equipe de mulheres enganadas que almejam vingança. A presença de Amber, aliás, serve como uma tonelada sobre um pequeno barco que já estava afundando.

Durante o longa, talvez uma ou duas cenas sejam dignas de risadas. Algumas delas vêm inesperadamente da cantora Nicki Minaj, que estreia na frente das telas. Ela interpreta a secretaria de Carly, Lydia. Assim como a artista, a personagem muda constantemente as cores do cabelo e não só consegue “ler” e debochar da chefe, como é responsável pelas poucas “tiradas” cômicas.

Do ponto de vista de roteiro, há temas interessantes abordados no filme, como a infidelidade e a suposta obrigação das mulheres de terem um homem ao lado para serem felizes. É legal ver que as personagens não se submetem ao papel escolhidos por outros (a sequência em que Kate tem uma recaída com o marido ilustra bem essa questão). O problema aí foi a forma infantilizada como isso foi retratado.

No final, o que aparece é um sentimento de nostalgia de filmes como “Quatro Casamentos e Um Funeral” (1994) e, principalmente de “O Clube das Desquitadas” (1996), em que o encontro de Diane Keaton, Bette Midler e Goldie Hawn rendem boas gargalhadas, ao contrário de “Mulheres ao Ataque”, que mais entristece do que qualquer outra coisa.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave