A pluralidade de um só fole

Festival Internacional de Acordeon tem segunda edição na capital e escala músicos brasileiros e estrangeiros

iG Minas Gerais | Lygia Calil |

Erudito. Toninho Ferragutti se apresenta pela primeira vez com a Sinfônica de Minas
Toninho Ferragutti / Divulgação
Erudito. Toninho Ferragutti se apresenta pela primeira vez com a Sinfônica de Minas

Presente na música tradicional brasileira, indispensável para expressões populares como o forró nordestino, o vanerão gaúcho e o sertanejo do Centro-Oeste, o acordeon está enraizado na cultura musical do país, mas vai muito além dela. Versátil, é tocado em todo o mundo, difundido por gêneros como o jazz e o tango, chegando à música de câmara. Com ênfase nessa verve eclética, Belo Horizonte recebe a partir desta quinta a segunda edição do Festival Internacional de Acordeon (FIA), que pelos próximos quatro dias vai se dedicar ao instrumento.  

No evento, apresentam-se músicos brasileiros e internacionais, vindos de países como Argentina, Itália e Estados Unidos, no Grande Teatro do Sesc Palladium. A seleção dos instrumentistas que vêm a Minas Gerais começou em setembro, na edição do ano passado do maior encontro do gênero no mundo, na cidade italiana de Castelfidardo – por lá, ficam algumas das mais tradicionais indústrias de acordeon. Um dos curadores do festival mineiro, o diretor de Cultura do Sesc, Célio Balona, visitou o evento italiano e pôde ver no palco os maiores nomes mundiais do instrumento. Voltou para o Brasil com uma lista praticamente fechada nas mãos.

“No ano passado, já na estreia da organização do festival em Belo Horizonte tivemos uma resposta muito positiva do público, inclusive com teatro lotado bem na noite em que o Paul McCartney se apresentou no Mineirão, em 4 de maio. As atrações que vieram de fora fizeram muito sucesso, então usamos isso como um parâmetro e incentivo para ampliar o leque nessa segunda edição. O nível técnico está excepcional e conseguimos uma diversidade de gêneros que vai agradar a públicos muito diferentes”, diz Balona.

O encerramento acontece no Parque Municipal, na manhã de domingo, com a Orquestra Sinfônica de Minas Gerais recebendo o acordeonista Toninho Ferragutti, que visita a obra do multi-instrumentista brasileiro Sivuca. Pioneiro na composição para acordeon na música erudita nacional, Sivuca foi o responsável, por exemplo, por traduzir Luiz Gonzaga para a linguagem sinfônica e criou concertos que ele apelidou de “sanfônicos”. Entre as seis peças que serão apresentadas estão “Paraíba”, “João e Maria” e “Feira de Mangaio”. Também entram no repertório três músicas próprias de Ferragutti, os “Sanfonemas”.

Para Ferragutti, a obra de Sivuca mostra essa peculiaridade do acordeon, um instrumento com um amplo poder de atuação. “É um instrumento muito ligado aos festejos populares, à celebração, mas que se dá bem em praticamente qualquer cenário melódico e harmônico. Ele aceita diferentes acompanhamentos, com cordas, vozes, metais, coisa rara. Se entrega desde a alegria do forró até o drama do tango”, diz o músico.

O solista já rodou o país com sinfônicas de vários Estados e se apresenta pela primeira vez ao lado da orquestra mineira. “Será um prazer tocar sob a regência do maestro Osman Gioia. O repertório de Sivuca é muito bonito, muito tocante”, afirma.

Entre os brasileiros, também se apresentam o cearense Adelson Vieira, ex-maestro de Dominguinhos, que no palco passeia pelos sons nacionais, como samba, choro, forró e frevo; os gaúchos do Quinteto Persch, uma inédita formação de cinco acordeonistas que tocam música de câmara; e o mineiro Léo Magalhães, jovem músico que transita entre o universo de bandas de forró e a música erudita.

Da Itália, virá Renzo Ruggieri, que em 2012 ganhou o título de melhor acordeonista no festival de Castelfidardo. “Ele fez questão de tocar com músicos mineiros, e o Fernando Merlino (piano), Milton Ramos (contrabaixo) e Ramon Braga (bateria) assumiram essa tarefa”, diz o curador.

Ainda entre os estrangeiros, o respeitado acordeonista francês Daniel Mille faz música moderna, jazzística. Fã do brasileiro Yamandu Costa, ele manifestou o desejo de se apresentar com o instrumentista. “Estamos muito felizes de conseguir esse encontro ser possível”, pontua Baleno.

Completam a programação o norte-americano Cory Pesaturo e um bandoneonista argentino da escola de Astor Piazzolla, Dino Saluzzi. “Aos 79 anos, é um dos últimos grandes de sua geração”, diz.

Agenda

O quê. Segunda edição do Festival Internacional de Acordeon

Quando. Desta quinta a sábado, às 20h30; domingo, às 10h

ONDE. Até sábado, no Grande Teatro do Sesc Palladium (rua Rio de Janeiro, 420, centro); domingo, no Parque Municipal Américo Renné Giannetti (avenida Afonso Pena, 1377, centro)

QUANTO. Até sábado, R$ 30 (inteira); domingo, entrada franca.

Programação Dia 8 . 20h30 – Adelson Viana (Ceará) . 22h – Renzo Ruggieri (Itália) Dia 9 . 20h30 – Léo Magalhães (Minas Gerais) . 21h30 – Cory Pesaturo (Estados Unidos) . 22h30 – Daniel Mille (França) Dia 10 . 20h30 – Quinteto Persch (Rio Grande do Sul) . 22h30 – Dino Saluzzi Quinteto (Argentina) Dia 11 . 10h – Orquestra Sinfônica de Minas Gerais e Toninho Ferragutti (São Paulo)

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave