Câmara discute índices de violência na Região Leste de BH

Debate com líderes comunitários revelou dados e busca medidas para reduzir os números nos bairros da região

iG Minas Gerais | Fabíola Prado |

Devido ao aumento do índice de violência provocada pela falta de segurança nos bairros da Região Leste de Belo Horizonte, aconteceu, nesta quarta-feira (7), a Audiência Pública na Câmara de Belo Horizonte. O encontro aconteceu a pedido do vereador Edson Moreira (PTN) e da Comissão de Direitos Humanos e do Consumidor, visando revelar dados e buscar medidas para a resolver o problema.

Segundo dados oficias divulgados pelo governo estadual, a Região Leste, constituída por 15 bairros, vive atualmente uma explosão de violência. Para Edson, o agravamento da situação é alarmante com o passar dos anos, ainda que muitos cidadãos não registrem grande parte dos crimes.

De acordo com os dados, houve, de 2011 até 2014 um crescimento de 20% da violência. Do ano de 2011 para 2012 os casos de homicídios aumentaram 7,4%, latrocínios 41,3% e estupro 14%. Já de 2012 para 2013 os crimes de homicídios também aumentaram 7,4%, latrocínio em 41,3%, crimes violentos 1,6%, estupro 1,2% e roubos de veículos 59%, e roubos em geral 13%. E continuaram a crescer de 2013 para 2014: no ano de 2013 foram registrados 2.334 casos de roubos consumidos, 5 estupros, 2.518 crimes violentos, 1.876 crimes contra o patrimônio público. 

Medidas

Para Maria da Conceição Resende, de 74 anos, professora, Secretária da Associação Comunitária e moradora do bairro Pompéia, e para Geraldo Magela, de 51, Presidente do Conselho de Comunitário de Segurança Pública da 2a Companhia da Polícia Militar, é preciso buscar a causa e solucionar o problema da violência de forma eficaz. “Temos que discutir e buscar soluções. Alguns bairros da Região Leste, por exemplo, tem movimentos crescentes de jovens para amenizar a situação”, comenta Magela.

Porém, de acordo com o Delegado da Polícia Civil, Hugo Silva, de 44, esse processo não é simples, mas é possível. “Estamos passando por uma violência estrutural em toda a sociedade e para resolver é necessário, primeiramente, repensarmos o papel de cada instituição na sociedade, repensar as políticas públicas e de todos os atores sociais, haver uma repressão qualificada pelo Estado para coibir a violência, e repensar, inclusive, a mobilidade urbana, a questão familiar, saúde, educação e iluminação pública”, revela o delegado.

Assim como Ibiraci José do Carmo, 66, Presidente da Associação Comunitária do bairro Santa Tereza e do Movimento dos Moradores de Belo Horizonte, Geraldo sugere o aumento do efetivo policial – segundo ele, em dez anos foram contratados apenas 30 policiais a mais para toda a Região, que hoje conta com 110, a divisão de bairros e não regiões, e o desmembramento dos postos de polícia. “Mas não podemos culpar apenas as polícias. Os responsáveis são os órgãos públicos, privados e toda a sociedade”, propõe.

Segundo a Gerente de Políticas Públicas da Região Leste, Fátima de Oliveira, 57, e Celso Máximo, 48, Presidente da Ong Em Nome de Minas e Todas as Torcidas Contra a Violência, a participação da população em projetos voltados para o esporte, ligados à Ongs, por exemplo, contra a diminuição da violência também pode ser uma medida positiva. “Nós estamos na Regional, principalmente no Alto Vera Cruz, bairro mais violento da Região, com o projeto Força Tarefa Pelo Esporte, juntamente com ex atletas, para atrair jovens para os esportes e garantir o convívio social entre todos da comunidade”, conta Fátima. “Contudo, tivemos que adiar o desenvolvimento do projeto devido à violência no local, tornando a questão a ser resolvida, também, pela Segurança Pública”, completa a gerente.

“Outra ação que está sendo pensada é o Circuito das Praças que propõe a ocupação dos espaços públicos, uma vez que a atitude ajuda a tornar o ambiente mais seguro. Na opinião de Fátima, a segurança nos bairros deve ser feita não só pelo poder público, mas também por toda a comunidade. O cadastro dos jovens no Centro de Referência de Assistência Social (Cras), em que toda a família do jovem é conhecida e acompanhada também pode ser uma medida”, diz Fátima.