circo de horrores

iG Minas Gerais |

O colunista Murillo de Aragão comentou aqui ao lado, há duas semanas, os gostos do povão nos veículos de comunicação, especialmente na internet. Segundo o que observou num só portal, as pessoas só querem saber de notícias sobre as misérias humanas. Hoje, no seu espaço, ele foca o conteúdo do Facebook: as informações escandalosas e as agressões gratuitas. Ele parece intuir o caso da dona de casa, em São Paulo, que foi linchada porque uma página publicou o retrato falado de uma suposta sequestradora de crianças. Ninguém quis saber se havia queixas de crianças sequestradas. Tomaram a notícia como veraz e buscaram um bode expiatório. Por azar, encontraram a mulher. Espancaram-na até a chegada da polícia. Ela morreu por traumatismo craniano e perfuração dos órgãos internos. O país está chocado. Trata-se de mais uma página do circo de horrores que estamos vivendo. No Recife, um torcedor jogou um vaso sanitário sobre a multidão e matou outro torcedor. Em Porto Alegre, uma madrasta matou o enteado de 11 anos com uma injeção letal. O Brasil está doente, gravemente doente. Há um colapso generalizado de valores éticos e morais (não obstante o fervor religioso que também presenciamos). Apesar do autoritarismo dos governos, vivemos uma crise de confiança nas instituições e nas autoridades. Não é para menos. Os executivos, os legislativos e o Judiciário não inspiram confiança. Os atos de justiçamento demonstram a descrença da população no sistema de Justiça. O poder público não funciona. As autoridades mentem desavergonhadamente. Nessas circunstâncias, o mundo virtual funciona como uma válvula de escape. Daí para o mundo real é um passo. O sujeito, acobertado pelo anonimato, certo da impunidade, publica o que quer – como também age com irresponsabilidade, sem medir as consequências. Não podemos voltar à barbárie antes de chegarmos à civilização. Temos um pacto social e precisamos fazer valer as instituições, por mais violentas, corruptas e ineficientes que sejam.

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