Oficina de desmanche

iG Minas Gerais |

Nada é mais prejudicial à saúde humana do que a desilusão ou a decepção com a vida. E eu ando desiludido e decepcionado com tudo o que se relaciona à administração do nosso país. Estou certo de que isso não vai acabar bem e que o fim não demora muito. Até o tabaréu sabe que contra fatos não há argumentos. Vamos aos fatos: o Brasil possui, hoje, 5.600 municípios, dos quais 3.500, aproximadamente, vivem e sobrevivem com as transferências constitucionais das cotas do Fundo de Participação dos Municípios(FPM),correspondentes a 22,5% da soma de impostos (IR e IPI), assim distribuídas: FPM das capitais=10%; FPM do interior = 86,8%; FPM reserva=3,6%. Total: 100%. Mas veja como o governo do PT se cobre com esse cobertor curto: para fomentar a venda de automóveis e eletrodomésticos da chamada “linha branca”, isenta as indústrias do IPI, sob o argumento de que perde o IPI mas assegura empregos. O que é meia-verdade, mas para quem mente sempre por inteiro, uma meia-verdade está até bom. Todavia, está se abrindo um buraco para tampar outro. Isentando do IPI esses dois segmentos importantes na formação do Fundo de Participação dos Municípios leva o desespero a mais de 3.000 municípios por esse Brasil afora. Os municípios estão descapitalizados e sem saída para fechar suas contas. Como oficina de desmanche ou cobertor de doido, cobrem-se os pés, mas fica-se com a cabeça descoberta ou vice-versa. Quando se tira peça de um carro mais velho para colocar num mais novo, isso, em pequena escala, fomenta o roubo de automóveis, que aumenta o índice de criminalidade, que, por sua vez, faz dos presídios brasileiros verdadeiras masmorras ou chiqueiros humanos. E qual a solução para uma desgraceira dessa? Sei lá. Eu tinha vontade de votar em quem eu acreditasse e que tivesse em sua plataforma de governo uma reforma radical em nossas leis e costumes. Penso que deveria começar eliminando, no plano federal, o sistema bicameral, fundindo Senado e Câmara e reduzindo o número de deputados para 180, no máximo, e mantendo a mesma proporção nas Assembleias Legislativas. Não haveria remuneração para vereadores. Haveria cadeia para prefeitos que não aplicassem os recursos determinados pela Constituição em manutenção e desenvolvimento do ensino, que, aliás, seria ministrado em horário integral. Em seguida à implantação desse regime, e só depois disso, deveria ser enfrentado o problema de nossa dívida externa. Hoje, estamos devendo mais de R$ 2,2 trilhões, ou seja, mais de 60% do nosso PIB. É muito, e pagando juros altos de 11% ao ano. Implantadas essas três prioridades, aí, sim, seria a vez de mexer na infraestrutura do país. Já haveria mais segurança nas cidades e no campo, e se poderiam modificar os códigos de processo e o Código Penal, acabando com a bandidagem e aparelhando devidamente a polícia. E ajudava Deus para ser ajudado.

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