Literatura, poesia e música como uma coisa só

iG Minas Gerais | LUCAS SIMÕES |


Adriana reúne coletânea de poemas e traduz obra infantil
Leo Aversa
Adriana reúne coletânea de poemas e traduz obra infantil

Mesmo com o DVD “Olhos de Onda” recém-lançado, Adriana Calcanhoto não consegue se limitar à música. Ainda neste ano, ela vai lançar uma coletânea de haicais brasileiros que envolve autores do peso como Paulo Leminski e Mario Quintana, além de preparar uma tradução da clássica obra infantil “Pedro e o Lobo”, do russo Sergei Prokofiev, que ela vai musicar como o original.

Durante a temporada que passou em Lisboa, no ano passado, Adriana Calcanhoto teve a oportunidade de dormir uma noite no quarto de Fernando Pessoa (1888–1935), a convite do jornal português “Público”. E foi lá que ela rascunhou com uma caneta japonesa azul os mais de dez desenhos que integram a antologia “Haicais do Brasil” (Edições de Janeiro), que terá poemas de Carlos Drummond de Andrade, Millôr Fernandes, Glauco Mattoso, Décio Pignatari, Afrânio Peixoto, Monteiro Lobato, Érico Veríssimo, Mário Quintana e Paulo Leminski. “Ia pegar um voo de volta para o Brasil no outro dia. Então, decidi colocar o relógio para despertar meia hora mais cedo, e fiz as ilustrações. O mais incrível é que escrevi numa mesa simples de madeira sem cadeira, exatamente como Pessoa criava seus escritos naquele quarto pobre: em pé. Eu já conhecia o quarto, mas só dormindo ali pude entender a urgência do poeta português”, conta.

A coletânea de haicais brasileiros será lançada no segundo semestre deste ano, mas ainda não tem data definida. “Só falta o meu prefácio para o livro, que está todo pronto. Vou tentar fazer neste fim de semana, aí podemos lançar logo porque é uma coletânea que me fascinou fazer. O haicai faz isso com a gente: fascina pelo fato de tornar o improvável e óbvio resumido em poucas palavras e em três linhas, quem sabe”, justifica a compositora.

Outro projeto em andamento é a tradução da clássica obra russa “Pedro e o Lobo”, que já ganhou versões de Rita Lee e Roberto Carlos no passado. A história infantil contada através da música foi escrita pelo russo Sergei Prokofiev em 1936, com a intenção de apresentar de formas pedagógicas os sons de diversos instrumentos. “Minha intenção é apenas traduzir a obra, sem fazer uma versão moderna ou interferir na história. Porque a Disney fez isso e matou uma obra que já é muito simples e tem uma mensagem muito linda”, diz.

Estudando partituras em inglês, francês e russo (as originais) da obra, Adriana pretende reunir os mesmos instrumentos usados de quando o espetáculo estreou na Rússia, na década de 40. Dessa forma, o oboé vai imitar o som de um gato, enquanto o pato será feito por um clarinete, o passarinho por uma flauta transversal e o personagem principal, Pedro, ganha vida através de um conjunto de cordas.

Para o show que tem estreia prevista para os dias 6 e 7 de setembro, em São Paulo, a cantora também vai mesclar canções do álbum “Adriana Partimpim” (2004), como “Trenzinho Caipira” e “O Elefantinho” (poema de Vinicius de Moraes musicado por Adriana).

Com tantos projetos para este ano, Adriana ainda tem tempo para mais. Em julho, ela retorna a Portugal para cantar ao lado da professora Cleonice Berardinelli, que recitará poemas de Mário de Sá Carneiro, no Real Gabinete Português de Leitura. No fim do ano, ela volta à sua cidade natal para apresentar um show dedicado ao repertório de Lupicínio Rodrigues. A apresentação, ainda sem data certa, vai acontecer no auditório da reitoria da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em Porto Alegre.

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