Começa júri popular de médico acusado de três abortos em Campo Belo

Caso seja condenado, profissional de saúde poderá pegar até 12 anos de prisão; réu e testemunhas de defesa já foram ouvidos

iG Minas Gerais | Natália Oliveira/Fernanda Viegas |

Um médico de Campo Belo, na região Centro-Oeste do Estado, começou a ser julgado nesta terça-feira (6), acusado ter cometido três abortos, segundo informações do Ministério Público de Minas (Gerais (MPMG). Caso seja condenado, ele poderá pegar até 12 anos de prisão. William Salume Maia responde o processo em liberdade e continua exercendo suas atividades, direito que conseguiu na Justiça.

O júri popular começou às 9h e já foram ouvidos o réu e testemunhas de defesa, segundo a assessoria do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG). As testemunhas de acusação já começaram a dar os depoimentos. Não há previsão de quando o julgamento será finalizado.

Entenda o caso

Os abortos aconteceram todos na clínica do médico entre os anos de 2005 e 2006 e um processo de curetagem (procedimento feito após o aborto) era realizado em um hospital da cidade, em que o médico atendia. "As denúncias chegaram ao MPMG depois que duas secretarias do profissional estranharam os procedimentos feitos pelo réu",  contou o promotor Carlos Eduardo Avanzi de Almeida.

Ainda segundo o promotor, as testemunhas contaram que as gestantes procuravam a clínica e realizam duas ou três consultas e depois sumiam. Os procedimentos de curetagem também ficavam anexados as fichas das pacientes. Durante as investigações três mulheres foram identificadas, duas delas confessaram o crime.

"Elas disseram que chegaram a pagar em torno de R$ 800 e mil reais para realizar o procedimento", contou. As três grávidas também foram denunciadas pelo MPMG no entanto elas tiveram a prescrição do crime reconhecida pela Justiça e não serão julgadas.

O profissional negou o crime. Ele chegou a ficar sem exercer a profissão no ano de 2011, mas, no mesmo ano, conseguiu na Justiça o direito de voltar a profissão. Segundo o promotor a Justiça considerou que os fatos ocorreram em 2005 e 2006 e não havia provas de que ele continuava a fazer os abortos.

Almeida ressalta que esse júri de médico com acusações de abortos é raro. "As gestantes e os familiares delas tem medo de denunciar e por isso se torna difícil comprovar esse tipo de crime", explicou. 

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