Tai chi chuan é uma arte interna

Prática marcial tem técnicas de autoconhecimento e de defesa pessoal

iG Minas Gerais | Ana Elizabeth Diniz |

Mestre. Aos 80 anos, Chan Kowk Wai reúne a bagagem de 53 anos dedicados às práticas chinesas
Arquivo pessoal
Mestre. Aos 80 anos, Chan Kowk Wai reúne a bagagem de 53 anos dedicados às práticas chinesas

São 80 anos de vida, sendo 53 dedicados às milenares práticas marciais chinesas. Chan Kowk Wai nasceu em 1934, em uma vila de Tai Sam, província de Guangdon, ao sul da China. Iniciou seu treinamento de kung fu aos 4 anos de idade.  

Em 1950, quando os comunistas tomaram o poder do país, saiu da China para Hong Kong. Em 1957, seu mestre Yang Sheung Mo (1887–1971) saiu de Kuangchou para Hong Kong e foi morar na casa vizinha à sua.

Assim, o jovem Chan teve a oportunidade de aprender o shaolin do norte, chi kung, tai chi chuan e massagem curativa. Em abril de 1960, chegou ao Brasil, numa época em que o kung fu era pouco conhecido. Em 1973, fundou a Academia Sino-Brasileira de Kung Fu, em São Paulo, e ajudou na fundação de Federações e confederação de kung fu.

Quando chegou ao Brasil, Chan iniciou sua jornada no ensino do kung fu com aulas particulares para os imigrantes da colônia chinesa. Pouco mais tarde, foi contratado pelo Centro Social da Colônia Chinesa e, começou a dar aulas na Universidade de São Paulo, no Clube Pinheiros, no Instituto Mauá de Tecnologia e na Pró-Vida, onde leciona até hoje.

Toda essa experiência didática e a vivência diária da sabedoria e dos exercícios milenares foram levadas para o livro “Tai Chi Chuan – Estilo Yang Tradicional” que acaba de ser lançado pela Barany Editora.

A obra traz ilustrações sobre os movimentos dessa milenar arte marcial chinesa, conhecida como uma forma de meditação em movimento.

Mestre Chan explica que o tai chi chuan tem seus princípios baseados no i ching e na medicina tradicional chinesa e recebeu fortes influências do taoísmo, confucionismo, budismo e de notáveis pensadores e filósofos da antiguidade.

“Nenhuma das filosofias e nenhum pensamento da cultura chinesa prega o uso da força ou pura agressão para sobrepujar o seu semelhante. Lao Tzu prega a não ação, no lugar de ação. Confúcio prega a harmonia entre os homens. No budismo prega-se a compaixão. Portanto, tai chi chuan é uma arte marcial cuja filosofia é de não agressão, é passiva e não ativa: nunca atacar antes, mas a sua reação deve antecipar-se ao ataque”, ensina o professor.

Nessa prática, as posturas não são totalmente relaxadas (yin), nem totalmente tensas (yang). É preciso combinar relaxamento e conscientização para o equilíbrio de yin e yang.

“Tai chi chuan é predominantemente uma arte interna. Na prática, apenas parte dos movimentos se expressa externamente, a maior parte é invisível, sentida internamente. Portanto, movimentos externos aparentemente graciosos não são necessariamente representação de eficácia ou tai chi interiorizado”, revela o mestre.

Com mais de 60 mil alunos formados e espalhados em mais de 200 academias em todo o Brasil, mestre Chan ensina hoje à sexta geração de alunos e considera que após muitos anos de pratica, “durante os exercícios, toda tensão de conscientização, inicialmente forçada, passa a ser incorporada automaticamente na execução dos movimentos”.

A jornalista Ana Elizabeth Diniz escreve neste espaço às terças-feiras. E-mail: anadiniz@terra.com.br

Ensinamentos

Quando duas grandes forças estão em oposição, uma contra a outra, a vitória vai para aquela que sabe como ceder.

Quando um homem está vivo, ele é macio e flexível, quando está morto, ele se torna duro e rígido. Quando uma planta está viva, ela é suave e macia, quando está morta, ela se torna esbranquiçada e seca. Assim, dureza e rigidez são companhias dos mortos. A maciez e a suavidade são companhias dos vivos.

A mais suave de todas as coisas supera a mais dura de todas as coisas. Aí consiste a sabedoria sutil da vida; a suavidade e a fraqueza superam a aspereza e a dureza.

Antes de tudo

Origem. As palavras tai e chi foram mencionadas primeiramente no I Ching, o Livro das Mutações, que considera que o estado inicial era o vazio e sem limites, antes do céu e da terra.

Iluminação de Buda A professora de ioga Maria José Marinho vai realizar no dia 14 próximo, às 18h30, a cerimônia de Wesak, quando se comemora a iluminação de Buda, considerado um dia auspicioso para a liberação das energias negativas que podem afetar a humanidade, estimulando, assim, o amor, a fraternidade e a paz. Pede-se que a pessoa use roupa branca ou amarela e leve um crisântemo amarelo como oferenda. Avenida do Contorno, 4614, 10º andar. Informações: (31) 3223-8340 e (31) 3225-4222.

Introdução ao vedanta Um ensinamento transmitido de mestre para discípulo, de professor para aluno, numa tradição de conhecimento. Essa é a definição de vedanta, um caminho para se conhecer a própria natureza. Esse será o tema do sat sanga que vai acontecer no dia 9 próximo, às 19h30, ministrado por Camila Melo, formada pelo Arsha Vidya Gurukulam, na Índia. Rua Engenheiro Amaro Lanari, 220, Anchieta. Informações: (31) 3225-5709 e (31) 9971-5709.

Mude o mundo Dessa vez o exemplo vem de um coral de um milhão de vozes de crianças que cantaram pela paz no mundo. Segurando uma imagem de Buda nas mãos, essas crianças cantaram “Change The World” em um templo de Dhammakaya, na Tailândia.  Ao fim, elas cantam a frase “Vamos nos unir para mudar o mundo” em vários idiomas. Assista ao vídeo em: http://www.youtube.com/watch?v=l4h-R9xDJDk&feature=youtu.be

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