HC vai expandir serviço gratuito

Laboratório de Reprodução da UFMG quer dobrar capacidade de atendimento até 2015

iG Minas Gerais | Jáder Rezende |

Sonho. A auxiliar de serviços gerais Beatriz dos Santos, 40, recebeu diagnóstico de trompas obstruídas aos 36 e não desistiu de ser mãe
UARLEN VALERIO / O TEMPO
Sonho. A auxiliar de serviços gerais Beatriz dos Santos, 40, recebeu diagnóstico de trompas obstruídas aos 36 e não desistiu de ser mãe

A procura por inseminação artificial gratuita no Laboratório de Reprodução Humana (LRH) do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) atrai cada vez mais mulheres maduras e casais homossexuais em busca de atendimento gratuito, segundo a coordenação da unidade. A maioria das pacientes que procura o LRH tem entre 30 e 40 anos e adiou a maternidade devido a fatores como estudo e trabalho, de acordo com o subcoordenador do laboratório, o médico Francisco de Assis Pereira. A unidade, que atualmente faz 20 tratamentos mensais em média, tem como meta ampliar essa oferta em 50% até o fim deste ano e em 100% até o fim de 2015.  

Uma das pacientes em tratamento é a auxiliar de serviços gerais Beatriz dos Santos, que aos 36 anos recebeu o diagnóstico de trompas obstruídas, recorreu ao HC e aguardou três anos na fila de espera. Hoje, aos 40, Beatriz não desistiu da ideia da maternidade. “Ser mãe é um sonho, a realização de uma vida. Trocaria tudo que tenho pela emoção de embalar meu próprio filho”, diz.

Com renda inferior a R$ 2.000 e escolaridade baixa, Beatriz conta com auxílio de parentes para comprar os medicamentos indispensáveis à fixação do óvulo, uma das etapas do tratamento. “Eu gastei R$ 4.600 só na semana passada”, revela.

Causas. O especialista explica que, com o passar da idade, a fertilidade declina naturalmente. “Além disso, a fertilidade pode cair ainda mais devido ao maior tempo de exposição a Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs) e ao crescimento dos riscos relacionados a doenças como endometriose e patologias uterinas”, acrescenta.

O médico pondera que muitas mulheres desconhecem essas informações e têm a falsa impressão de que os tratamentos de reprodução assistida são 100% eficazes. “Infelizmente, inexiste no país a cultura de planejamento familiar que inclua a programação da gravidez. As poucas abordagens sobre o tema em escolas focam a prevenção de DSTs e gravidez indesejada.”

Ainda segundo ele, a chance de sucesso por tentativa de fertilização in vitro varia de 10% a 50%, dependendo principalmente da idade da paciente e da causa da infertilidade. Pereira ressalta, contudo, que embora a técnica alcance maior chance por tentativa, não deve ser indicada como primeira opção para todas as pacientes, devido a riscos e efeitos colaterais indesejados.

O tratamento, que em clínicas particulares chega a custar mais de R$ 20 mil, já foi disponibilizado a cerca de 50% dos 3.000 pacientes que procuraram o LRH desde a implantação do serviço, em 2007. O tempo médio de espera entre o cadastro e o atendimento é de dois a três anos.

Tratamento segue leis rígidas O Brasil detém uma das mais rígidas regras para fertilização in vitro. O Conselho Federal de Medicina (CFM) proíbe, por exemplo, a reprodução assistida para mulheres com mais de 50 anos. Adotada para que se respeite a fisiologia da mulher, a regra encontra algumas exceções, caso o CFM e suas regionais entendam que determinada paciente nessa faixa etária possa se submeter ao tratamento. Se não houver aprovação do procedimento pelo CFM ou regionais, a paciente pode recorrer à Justiça. Comercialização de gametas e seleção de características genéticas dos bebês também não são permitidas no Brasil. Já o aluguel de útero, popularmente conhecido como “barriga de aluguel”, é terminantemente proibido.

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