Simplicidade que ainda dá certo no futebol

iG Minas Gerais |

América e Boa fizeram um grande jogo em Varginha, e a liderança americana da Série B está confirmando o acerto da diretoria em apostar no mineiro Moacir Júnior como treinador. Ele está aproveitando jogadores do próprio clube, alguns com quem já trabalhou ou viu jogar no interior do Estado e outros de fora, buscados criteriosamente. É a simplicidade, o “feijão com arroz”, que sempre deram bons resultados em Minas, mas abandonados durante um bom tempo pelo próprio América. Receita Gilvan É a mesma fórmula adotada por Gilvan de Pinho Tavares quando assumiu a presidência do Cruzeiro, que deu certo e se reafirmou também no último sábado, em Brasília, na vitória por 3 a 2 sobre o Atlético-PR. Com time reserva, enxertado pelo goleiro Fábio, que buscava recorde de atuações com a camisa celeste, a Raposa passou fácil pelo time paranaense. Sem maiores dificuldades Mesmo tendo que virar o jogo em duas oportunidades, em nenhum momento o Cruzeiro foi inferior tecnicamente durante toda a partida. Justificou totalmente a efusiva comemoração de Marcelo Oliveira, que, com toda a simplicidade que marcou a sua vida pessoal e profissional, se afirma como um dos melhores treinadores do país, depois de superar todas as dificuldades e desconfianças de quem está buscando espaço na profissão. Início da decisão Se favoritismo valesse alguma coisa no futebol, os cruzeirenses já poderiam antecipar a conquista de mais uma Libertadores. Porém, sabemos que isso só vale nas resenhas esportivas, da imprensa e nos bares. O Cruzeiro tem mais time que todos os que sobraram nesta reta final da competição, mas terá de justificar essa fama suando muito em campo, em Buenos Aires, amanhã, contra o San Lorenzo, e na semana que vem, no Mineirão. Sem invenções O Atlético perdeu mais uma no Horto, e a luz vermelha foi acesa pelo técnico Levir Culpi, que repassou suas preocupações ao presidente Alexandre Kalil. Acredito no trabalho de Levir, que conhece bem esse ambiente e que, apesar de estar realizado financeiramente na profissão, quer voltar a ser badalado como um dos técnicos de ponta do país, depois de quase dez anos no Japão. É um técnico realista, pragmático, não filosofa e não inventa.

Chegou tarde Tivesse sido contratado no fim do ano passado, quando Cuca deu adeus, Levir Culpi não teria deixado a diretoria atleticana fazer tantas bobagens contratando jogadores que nada acrescentariam e deixado ir embora um Junior César. A lateral esquerda está órfã até hoje e tem feito tanta falta, principalmente ao ataque, ex-ponto forte do Galo. Com Marcos Rocha machucado e sem um reserva à altura, Jô morre de fome, sem cruzamentos ou jogadas que façam a bola chegar até ele.

Lei natural O fim da linha para o Atlético na Libertadores não pode ser creditado apenas às falhas individuais nos jogos contra o Nacional de Medellín. Foi o “conjunto da obra” que eliminou este time, que, depois da conquista do ano passado, quase um ano atrás, não inspirou confiança em nenhum momento. Certamente o time dormia sobre os louros da conquista, achando que novas vitórias viriam naturalmente.

Fila que anda No futebol, continua valendo a frase que rege a conduta do ex-jogador argentino Simeone, emergente e vitorioso técnico do Atlético de Madrid: “Jogo a jogo”. Cada partida é uma história, a glória de ontem já era, pois, se novas vitórias não vierem, o espaço será tomado por um dos concorrentes cada dia mais e melhor preparado. Que Levir Culpi consiga arrumar a casa durante o Brasileiro. Missão nada fácil. O tal “legado” da Copa Em 2007, quando o Brasil comemorou a vinda da Copa do Mundo, pensei: oba! Finalmente Belo Horizonte ganhará um metrô decente, o anel rodoviário será reformado, o rodoanel sairá do papel, o aeroporto de Confins estará no mesmo nível de alguns dos melhores do mundo, as BRs 381 e 040 serão duplicadas, e as nossas telecomunicações funcionarão! Porém, faltando algumas semanas para a abertura da competição, as últimas ilusões foram para o saco: dos 12 aeroportos das cidades-sede, oito não ficarão prontos, e Confins está entre eles. Esses dias, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, disse que, dos 12 estádios, em seis a internet “não funcionará direito”! Adivinhem se o Mineirão está entre esses seis da prateleira de baixo? Claro, junto com o Itaquerão, Arena da Baixada, Castelão (Fortaleza), Arena das Dunas (Natal) e Arena Pernambuco.

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