Número de transplantes de órgãos cresce 18% no Brasil

Fila de espera diminui 56,1% entre 2010 e 2013, segundo Ministério da Saúde

iG Minas Gerais |

Considerações. Órgão sendo transplantado em BH: apenas ontem, três órgãos foram doados em Minas
Clarice Castro/GERJ
Considerações. Órgão sendo transplantado em BH: apenas ontem, três órgãos foram doados em Minas

Brasília. O número de transplantes de órgãos no Brasil aumentou 18% entre 2010 e 2013. Segundo o Ministério da Saúde, os procedimentos considerados de alta complexidade, como os de pulmão (100%) e coração (60%), tiveram as maiores elevações no período.  

“Na incidência de doações, no geral, menos de 5% envolve o transplante de pulmão. Em Minas, por exemplo, é um transplante ainda incipiente”, explica Charles Simão, diretor do MG Transplantes.

“O aumento do transplante mais complexo significa uma melhora em todo o sistema, porque esses são os transplantes com maior carência, por exemplo o de pulmão e o de coração. As pessoas que não recebem (o órgão) morrem, não têm opção”, avaliou o coordenador do Sistema Nacional de Transplantes, Héder Murari Borba.

O total de pessoas que doaram órgãos passou de 1.896, em 2010, para 2.562, em 2013, alta de 35,1%. Ainda de acordo com o Ministério da Saúde, o Brasil tem a maior rede pública de transplantes do mundo. O rim é o órgão mais transplantado e com maior fila de espera.

“Os Estados Unidos fazem mais transplantes que o Brasil, mas lá o transplante é privado. Uma parte é subvencionada pelo Estado, e os imunossupressores, medicamento que a pessoa recebe depois do transplante, têm que ser comprados”, contou Borba.

Entre 2010 e 2013, com o aumento do número de transplantes, a fila dos que aguardam um órgão diminuiu 56,8% nos últimos três anos. Santa Catarina e o Distrito Federal são os locais com maior relação de doadores por milhão de habitante, passando dos 30. Em 2010, 59.728 pessoas estavam na lista nacional de espera e, em 2013, o número passou para 38.074.

Sem espera. O transplante de córnea é o que mais apresenta redução na lista de espera. Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Pernambuco, o Paraná, o Rio Grande do Sul e São Paulo zeraram a fila por essa cirurgia em 2013.

Segundo Borba, a resistência à doação está ligada à falta de esclarecimento da população. “Queremos esclarecer que é um procedimento seguro, que a pessoa não vai ter sua morte acelerada. São coisas que ainda persistem na mentalidade da população.”

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