Bancos omitem informações sobre portabilidade de crédito

Débitos podem ser transferidos para instituições que oferecerem melhores condições

iG Minas Gerais | Thaís Pimentel |

Desde segunda, os bancos são obrigados a fazer a portabilidade de crédito, que possibilita ao cliente migrar as operações para instituições que ofereçam juros mais baixos. Isso vale para crédito imobiliário, financiamento de veículos, crédito direto ao consumidor (CDC), crédito pessoal e as linhas de crédito consignado (INSS, público e privado). Porém, o público ainda esbarra na falta de informação, como constatou a reportagem de O TEMPO, que visitou agências em busca do novo serviço.  

Em meio a banners coloridos que vendem facilidades na compra de seguros, cartões de crédito e previdência privada, há apenas uma discreta folha de papel ofício, pregada em frente aos caixas da agência Bradesco, na praça da Cemig, em Contagem. “Vou providenciar dois cartazes agora mesmo sobre portabilidade”, disse um dos gerentes ao ser questionado. Ele mesmo demorou para encontrar o papel ofício.

Já na agência do Itaú, localizada na mesma região, não havia nenhum aviso. Uma das funcionárias admitiu que a portabilidade tem sido pouco divulgada e que ninguém havia procurado o banco para esclarecer dúvidas sobre o assunto. A reportagem também procurou a agência do Banco do Brasil que fica na mesma praça. Um atendente disse que não havia como dar informações para não-correntistas, já que os funcionários estavam em dúvida sobre a obrigatoriedade de abertura de conta a interessados em fazer a portabilidade para a instituição.

Segundo o Banco Central, se você ainda não for cliente da instituição que vai conceder o novo crédito, ela pode lhe cobrar tarifa de confecção de cadastro para início de relacionamento (Resolução CMN 3.919, de 2010), mas os custos relacionados à troca de informações e à transferência de recursos entre as instituições proponente e credora original não podem ser repassados ao devedor. Os bancos Itaú, Bradesco e do Brasil foram procurados, mas até o fechamento dessa edição não se posicionaram sobre os problemas apontados.

Se soubesse da portabilidade, o consultor de vendas Alessandro Reis Rocha poderia ter negociado melhor as taxas do financiamento de seu imóvel. “Vim aqui no Itaú pra tentar baixar a tarifa e eles ficaram de me dar uma resposta só na sexta-feira. Se eu soubesse desse benefício, poderia ter barganhado mais”, desabafou. O taxista Cândido de Almeida ficou sabendo pelo rádio e aprovou a decisão. “Agora vai ser bom porque se um banco tiver taxa mais barata, fica mais fácil de negociar”, comemorou.

O banco que foi preterido tem cinco dias para convencer o cliente a permanecer na instituição. “Cinco dias pra dizer aquele monte de mentira, né?”, desabafou a caminhoneira Hildevanng Duarte dos Santos, que está quase quitando um carro e sonha em comprar um novo caminhão. “Se agora tem essa vantagem, fica mais fácil”, comemorou.

Reclamações Contra serviços bancários no Procon Assembleia Financiamento de veículos: 2014 (até 5/5) - 122 2013 (até 5/5) - 220 2013 (total) - 663 Financiam. habitacional: 2014 (até 5/5) - 42 2013 (até 5/5) - 26 2013 (total) - 108

Dicas 1 - A forma correta de comparar dois ou mais bancos é pelo Custo Efetivo Total (CET). Nele estão inclusas todas as tarifas bancárias, seguros e taxas de juros relacionadas ao financiamento. É preciso também levar em conta, além do CET, os custos extras com a portabilidade como, por exemplo, gastos com cartório (no caso do financiamento imobiliário principalmente) 2 - Conforme o tipo de crédito a ser transferido, não aceite a imposição do banco destino de ter de abrir conta corrente com pacotes e valores que não concorde

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