“Os Bracher” resgata 50 anos de história mineira

Mostra visita a obra da combativa família que transformou-se na síntese da arte de Juiz de Fora

iG Minas Gerais | Lygia Calil |

Obra. ‘Paisagem com Casa de Cláudio Manoel’, de 2005, pintura de Carlos Bracher que está na mostra
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Obra. ‘Paisagem com Casa de Cláudio Manoel’, de 2005, pintura de Carlos Bracher que está na mostra

Uma família que se dedicou à arte e à luta pela sua preservação, cuja trajetória marcou a história da cultura mineira, vai ganhar sua primeira exposição coletiva: “Os Bracher” entra em cartaz hoje no Centro Cultural Bernardo Mascarenhas, em Juiz de Fora, cidade de origem dos artistas Décio, Nívea, Carlos e Fani Bracher. A coleção resgata cerca de 40 obras, em uma retrospectiva que abrange quase 50 anos de fazer artístico.

Além de comemorar os 164 anos da cidade da Zona da Mata mineira, a mostra é uma homenagem póstuma a Décio e Nívea, mortos em dezembro de 2013 e em janeiro deste ano, respectivamente.

Segundo o curador da exposição, o jornalista Jorge Sanglard, também amigo da família, o sobrenome Bracher é a síntese do fazer artístico na cidade. De acordo com ele, foi em torno do Castelinho, a casa em que os irmãos moravam e se reuniam com amigos para criar, pensar e discutir arte, que toda uma geração de artistas e intelectuais se forjou. “Eles eram aglutinadores. A casa foi um núcleo irradiador de saber em várias expressões, como cinema, artes plásticas, música, fotografia, política. Muitos artistas de expressão se formaram lá, como Roberto Gil, Heitor de Alencar, Américo Rodrigues, Paulo Tasca, Dnar Rocha, Ruy Merheb, Renato Stheling”, avalia Sanglard.

Para ele, a família e seus agregados formaram em Juiz de Fora uma expressão peculiar, cuja linguagem se difere da usada na capital, essa essencialmente influenciada pelo pintor Alberto da Veiga Guignard. “Pode-se falar em uma escola de pintura de Juiz de Fora, e o surgimento dela se dá a partir dos Bracher”, diz o curador.

Para pontuar a exposição, Sanglard escolheu frases de intelectuais como Carlos Drummond de Andrade, Walter Sebastião e Affonso Romano de Sant’Anna – este último escreveu que “a família Bracher é um todo”.

Para Carlos Bracher, a exposição se mostrou “um misto de alegria e dor”. Ele e a mulher, Fani, ajudaram na seleção das obras. “É uma mostra centrada na emoção. Fazê-la sem a presença física dos meus irmãos é difícil, eles foram meus maiores mentores”, diz ele, o caçula da turma, aos 74 anos.

Agenda

O quê. Exposição “Os Bracher”

Quando. Abertura hoje, às 20h

Onde. Centro Cultural Bernardo mascarenhas (avenida Getúlio Vargas, 200, centro, Juiz de Fora)

Quanto. Entrada franca

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